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AVALIAÇÃO: DUCATI 959 PANIGALE

Enviado por on 30 de Agosto de 2016 – 15:57Comente
 

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Quase uma 1000

A mais nova Panigale é a irmã caçula da família. Não tem a potência da 1299, mas compensa isso com muita agilidade.

Texto: Julio Rosenfeld / Fotos: Divulgação

Linda de morrer. Esse é um termo já generalizado para descrever motos italianas e mulheres atraentes. Mas as Panigale, em geral, são verdadeiras obras de arte sobre rodas. Com a novíssima 959 não é diferente, mas há um senão. As belas ponteiras de escapamento que saíam por baixo da moto, características de todas as Panigale até o momento, foram substituidas por uma grande ponteira dupla que sobe pela lateral direita. É um item polêmico. Alguns acham que ela destoa muito da moto e deteriora seu design de linhas fluidas, outros acham que ela remete a modelos do passado e não interefere tanto assim. De qualquer forma, a Ducati não a colocou lá à toa e, junto com um upgrade no motor, é uma das maiores diferenças em relação à antecessora, a 899.

Em 2013, a fabricante de Bologna lançou sua primeira “Panigalina”. Equipada com um motor de 898 cc, ela era a versão mais amigável e acessível da 1199 Panigale. Dois anos adiante, a marca substituiu a 1199 pela 1299 e, alguns meses depois, a 899 acabou e veio esta 959.

Para nós aqui no Brasil, a impressão que ficou foi de uma mudança extremamente rápida. A 899 não foi vendida no Brasil, portanto, quando a 959 chegar ela será a sucessora direta da Superbike 848, que ainda tinha um quadro de treliça, bem diferente das Panigale que tem um quadro monocoque de alumínio, um componente tão pequeno que nem parece um chassi: está mais para uma caixa de direção com espaço para a caixa de ar do que uma verdadeira estrutura. Mas é aí que entra o motor, que tem um grande papel estrutural, ao qual a balança traseira é acoplada diretamente. Enfim, as Panigale não tem quase nada em comum com as antigas Superbike da marca.

EM DETALHES – Voltando para a 959 e seu escapamento, a peça foi colocada lá por causa da norma Euro4, que reprovaria a 899 e mesmo a 959 com a ponteira curta na parte inferior. Parte disso ocorreria por causa do local onde colocam o sensor de ruído durante o teste, bem embaixo do motor, mas a unidade nova também ajuda a reduzir a emissão de poluentes. A nova regulamentação resultou também no aumento  de curso dos pistões de 57,2 mm para 60,8 m, adicionar um segundo injetor de combustível e com isso extrair mais torque e potência do bicilindro. Agora ela gera 157 cv a 10.500 rpm e 10,95 kgf.m a 9.000 rpm (antes 148 cv e 10,09 kgf.m). E assim nasceu a 959, basicamente uma 899 mais forte , limpa e silenciosa.

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A 959 compartilha quase extamente o mesmo chassi com a 899, o que não é nada de ruim. A suspensão dianteira é Showa BPF invertida e totalmente ajustável. O monoamortecedor traseiro também tem todos os ajustes e é da Sachs. O que mudou foi o ponto de encaixe da balança traseira, que está 4 mm mais baixo para melhorar a distribuição de massas. O peso subiu para 176 kg à seco, 7 kg a mais, a maioria deles graças ao novo escapamento.

Na parte eletrônica a 959 recebeu um quick shifter (DQS), que permite apenas passagens de marcha, não _3MC3876reduções. O restante é igual à antecessora, que já era bem completa. Há três modos de condução ajustáveis: Race, Sport e Wet. Estes alteram a resposta do motor, nível de controle de tração, ação do ABS e até a quantidade de freio motor. O Wet reduz a potência para apenas 100 cv, os outros dois deixam toda a força fluir.

As outras novidade são visuais. As carenagens laterais vieram diretamente da 1299 Panigale e o para-brisa ficou um pouco mais alto para melhorar a aerodinâmica. Outra peça que fez diferença na hora de andar foram as novas pedaleiras de alumínio que ganharam uma superfície mais rugosa. Elas transmitem mais confiança na hora de se pendurar para realizar curvas na pista, como veremos adiante.

NO CHESTE – O local escolhido para o primeiro test-ride internacional da 959 não poderia ter sido melhor. Fomos atá Valencia, na Espanha, para andar no moderno circuito Ricardo Tormo.

Ao chegar lá, nos deparamos com dezenas de 959 Panigale, todas equipadas com pneus Pirelli Diablo Supercorsa SC2 cobertos por aquecedores vermelhos da própria Ducati. O pneu de equipamento original será menos esportivo, um par de Diablo Rosso Corsa, mas para esta ocasião algo mais aderente – além de impressionar ainda mais os jornalistas – contribuiria, claro, para evitar acidentes.

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Os americanos, sortudos, andaram em uma versão com escapamento sob o motor, como na 899, pois a legislação deles permite isso. Já os demais tiveram a oportunidade de experimentar duas variantes do escapamento lateral, o original e um especial, Akrapovic. Na verdade, as motos com tal escapamento esportivo tinham um kit que também incluia uma bolha mais alta, remoção dos espelhos e do assento do passageiro e um protetor do manete de freio.

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Boxe aberto e nos preparamos para a primeira sessão do dia. Ao montar na 959 e dar a partida, tudo pareceu muito familiar. Ela é estreita entre as pernas e o ronco poderia ser facilmente confundido com o de outros modelos da marca. Os semi-guidões são baixos, mas não muito distantes, e o assento é duro como pedra. O painel remete às motos de entrada na marca: esta Panigale não ganhou a maravilhosa tela colorida vista nos modelos de 1200 ou mais. Mesmo assim, o painel monocromático é bem legível e eficaz.

Engatamos a primeira marcha e saímos para fazer um reconhecimento de pista. E que pista! Curvas de alta e baixa velocidade se mesclam perigosamente, as de alta terminam em curvas de baixa, forçando o piloto a frear forte com a moto ainda inclinada andando por volta de 200 km/h. É mole? Fácil mesmo era só a reta, longa o suficiente para chegarmos até a sexta marcha e ultrapassar os 250 km/h antes de frear forte para a curva 1. Cheste foi o lugar perfeito para testarmos a 959.

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Pneus quentes, batedor fora da pista e… hora de acelerar! As rotações sobem de forma não muito assustadora mas no modo Race a frente sobe só com a força do motor e os batimentos cardíacos idem. A performance está realmente acima da oferecida por superesportivas de 600 a 750 cc, mas não chega no nível das 1.000. O ronco é cativante, a italiana sabe falar bem alto apesar do Euro4. Passamos as marchas quando o shift-light vermelho acendeu em volta do painel e descobrimos que o quick-shifter funciona impecavelmente.

Por falar em modos de condução, ficamos mais à vontade no Sport ao invés do Race, por causa da resposta menos agressiva do motor. Lembra até um tetracilíndro por sua suavidade no Sport, mas no Race a 959 mostra que pode morder os pilotos menos cautelosos e entreter os mais experientes. Quem está acostumado com as motos de quatro “canecos” provavelmente esbarrará no limitador de giros desta Ducati algumas vezes antes de pegar o jeito. É necessário passar as marchas a uma rotação não tão elevada, antes dos 11.000 rpm. No geral, a Panigale se mostrou mais dócil e fácil de tocar que a 1199, que avaliamos anteriormente.

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Nas curvas, tanto de alta como de baixa, ficamos impressionados. Os pneus SC2 colam no asfalto, parecia impossível perder tração naquelas condições em pista seca. O chassi também fazia sua parte, mantendo a moto completamente estável apesar das enormes forças atuando sobre ele. Freios nunca sequer ameaçaram falhar e grantiram paradas fortes volta após volta. Atuam com progressividade e o ABS também é digno de elogios, raramente entra em ação e quando entra pulsa muitas vezes por segundo e realmente ajuda a reduzir as distâncias de frenagem com seguança. A nova embreagem anti-blocante é leve e permite reduções agressivas sem escorregões. Mudanças de direção exigem pouco esforço, talvez até menos que em algumas superesportivas de 600 cc. A dianteira não carrega muito peso, mas é bem precisa. U ma coisa que ajudou sensivelmente em relação às Panigales anteriores são as novas pedaleiras com a superfície rugosa e mais aderente, que não deixam a sola das botas escorregarem e, consequentemente, transmitem mais segurança na hora de movimentar o corpo de um lado à outro e para se pendurar nas curvas. O limite de inclinação pareceu inatingível, chegamos ao ponto de praticamente prensar a perna entre o asfalto e a carenagem lateral, mas as pedaleiras nunca tocaram o solo.

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Com os pneus originais, o resultado provavelmente não será tão positivo, mas acreditamos que para uso fora das pistas serão os ideais. A Ducati diz que a 959 é uma “pura esportiva para uso diário”. Não tivemos a oportunidade de levá-la para fora da pista, mas a ergonomia é 100% racing, logo ela não seria confortável para longas distâncias. Por outro lado, o conjunto de suspensões pode ser ajustado para lidar bem com vias_3MC3870 públicas e o motor tem torque útil em baixas e médias rotações. É claro que ele funciona melhor acima de 7.000 rpm, mas por volta de 4.000 rpm ainda responde sem reclamar. Mesmo assim, ela emana muito calor. Uso diário? Melhor não!

Após ter andado nas versões com e sem o kit esportivo não notamos grande diferença no ronco, mas a bolha mais alta e o formato da ponteira fizeram alguma diferença. O escape Akrapovic acomoda melhor o pé direito e a bolha ajuda na penetração aerodinâmica a altas velocidades.

ÁGIL COMO UM GATO – A 959 Panigale é fantástica para uso em pista. Pode ser dócil ou agressiva, acolher quem deseja debutar nos cursos de pilotagem assim como entreter quem já está cansado das tetracilíndricas. Não tem a força brutal das Superbikes, mas é mais ágil, suave e fácil de tocar. Ela consegue combinar a leveza e agilidade de uma 600 com potência mais próxima das 1.000, tudo com muita eletrônica embarcada para atender pilotos de todos os tipos. De quebra, o design é espetacular, apesar do novo escapamento.

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Por outro lado, fora das pistas ela provavelmente não agradará muito. Para quem busca uma esportiva com conforto de verdade, a melhor opção continua sendo a BMW S 1000 RR, a única moto superesportiva realmente pensada para conforto nas estradas também. Mas, se idéia fora apenas desfilar ocasionalmente – e usá-la à sério nos track-days –a 959 é uma das motos mais adequadas e sensuais do mercado.

Certamente é uma das mais excitantes máquinas para se divertir na pista. Aliás, ela foi pensada exatamente para isso, para o uso radical. Difícil pensar em algo mais legal que esta 959 Panigale para quem prioriza o prazer da pilotagem. Divertida e elegante, ela ainda consegue atingir um equilíbrio quase perfeito entre potência e controle, exatamente o que buscamos quando andamos no limite. ….

ficha panigale 959

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