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BMW F 800 GS, UM MÊS AO GUIDÃO – PARTE 2

Enviado por on 26 de Março de 2013 – 1:121 Comentário
Professor Roberto e a F 800 GS: terra e asfalto no cardápio

Professor Roberto e a F 800 GS: terra e asfalto no cardápio

Curiosíssimo. Tal palavra define exatamente o estado de espírito de nosso colaborador Roberto Moura Sales na véspera de assumir o comando da atual “vítima” deste que é o nosso terceiro UM MÊS AO GUIDÃO. Sucessora da pioneira Kawasaki Versys 1000 Grand Tourer e da Triumph Tiger 800 XC, a BMW F 800 GS representava uma espécie de objeto do desejo e curiosidade do professor da Escola Politécnica da Universidade de SP e motociclista recuperado. Recuperado? Sim: Roberto passou bons quinze anos longe de motos depois de quase três décadas de uso contínuo. E para a retomada do guidão, ocorrida poucos meses atrás, optou pela pequena Honda XRE 300 mas de olho em motos como a… F 800 GS!

O motor bicilindro da BMW: potência mais do que suficiente

O motor da BMW: potência mais do que suficiente

O engenheiro lembra que, no passado, teve uma BMW do final dos anos 50, à se qual dedicava boas horas de seu tempo livre fazendo a manutenção/restauração na base do “faça você mesmo”. Roberto afirmou que à época, meados dos anos 70, não era muito difícil achar componentes para sua BMW na “boca” das motos em São Paulo, especialmente na loja do lendário Luís Latorre. “Cheguei a trocar anéis e juntas de cabeçote eu mesmo, mas apesar de gostar daquela velha moto acabei cedendo a um modelo mais moderno e confortável de então, a Yamaha TX 650A com a qual viajei até Porto Alegre/RS, coisa que com a velha BMW seria bem mais complicado de fazer.”

Mas na mente do colaborador a excelência mecânica da marca bávara deixou marcas, e daí a ânsia de andar na F 800 GS, uma moto que, segundo o professor da Poli, é forte candidata a substituir a pequena XRE 300 em sua garagem brevemente. Tendo rodado com a Triumph Tiger 800 XC pouco tempo atrás, para Roberto uma viagem com a BMW serviria de genuína contraprova para sua escolha futura e, para não falsear impressões, o roteiro escolhido pelo colaborador foi o mesmo que o realizado com a maxitrail inglesa, São Paulo – Ubatuba – São Paulo.

Roberto conhece a estrada que leva a famosa capital do surf do litoral norte paulista como a palma da mão. Desde o início dos anos 80 é frequentador assíduo das praias de Ubatuba, e a escolha de uma trail – ou maxitrail – leva em conta exatamente esse gosto pelas localidade: “conheço muito bem aquele trecho do litoral e sei que para chegar em algumas praias é preciso enfrentar trechos de caminho bem ruim, onde terra, pedras e areia não faltam. Fora isso como se sabe a região é bem chuvosa, especialmente no verão, e assim minha futura moto deve ter habilidade para enfrentar estradas ruins e ao mesmo tempo ser fácil de conduzir. A Triumph Tiger me agradou bastante, mas essa F 800 GS me convenceu mais. Não se trata de saudosismo ou preferência pela marca alemã por eu ter tido uma BMW no passado, mas sim pelo uso específico que imagino para minha futura moto.”

Freio dianteiro: respostas bruscas

Freio dianteiro: respostas bruscas

O colaborador avança em sua explicação sobre a razão de preferir a F 800 GS: “E primeiro lugar a F 800 GS me pareceu máis ágil, menos volumosa do que a Triumph. Fiquei bons anos sem ter moto e agora, perto dos 60 anos de idade, apesar de estar em boa forma física, não preciso de uma moto que me cause problemas em manobras ou em estradinhas mal conservadas como as que circulo em Ubatuba. Considero a Tiger uma moto poderosa, e a rodovia parece ser seu habitat ideal para exibição do poderio de seu motor tricilíndrico. Contudo a BMW F 800 GS não fica quase nada atrás da Tiger nesta condição de estrada rápida enquanto me pareceu bem mais à vontade na terra.”

Roberto faz uma ressalva a BMW apenas no que diz respeito a altura do banco e ao comportamento do freio dianteiro em baixa velocidade: “Na Tiger o banco é mais baixo, e assim os pés se apoiam com maior facilidade no solo. Porém, essa vantagem é perdida por conta do maior peso da motocicleta inglesa. Na BMW, apesar da altura maior, a sensação de domínio é melhor quando o piso fica realmente ruim. E olha que para meu azar o período no qual usei a BMW foi, ao contrário do tempo em que fiquei com a Triumph, muito chuvoso. E neste clima a existência do controle de tração torna a BMW uma moto sem dúvida superior quando a estrada de terra fica molhada. Quanto aos freios, achei que o dianteiro responde de maneira excessivamente brusca em baixa velocidade.”

O banco da GS é alto, mas com boa conformção

O banco da GS é alto, mas com boa conformção

Questionado sobre aspectos práticos de uma e outra, Roberto as vê muito semelhantes em quase tudo, todavia a lembrança do maior calor emanado pelo motor da Tiger foi mencionada, assim como o incômodo ruído da corrente de transmissão batendo na balança de suspensão traseira mesmo estando o sistema bem ajustado: “a Tiger tem essas duas chatices que na BMW não há. A corrente bate muito nas peças de plástico que protegem a balança de suspensão traseira, e o calor… esse incomoda mesmo. Por outro lado o para-brisa da BMW não desvia o ar da cabeça com a eficiência mostrada pelo da Tiger e ela não conta com protetores de mãos de série, elemento que acho necessário em uma moto desse segmento. Já o cavalete central está lá. Ponto para a BMW.”

Proteção apenas razoável do para-brisas

Proteção apenas razoável do para-brisas

E então, qual o veredicto do engenheiro politécnico? “Considerei o consumo adequado, por volta dos 20 km/l, mesma média que obtive com a Triumph. Em preço elas são equivalentes, já que os 3 mil reais a mais que a BMW pede pela sua moto não acredito que possam influenciar demasiadamente quem se dispõe a gastar 40 mil em uma moto. Do ponto de vista do meu uso específico, pequenas viagens de SP a Ubatuba e redondezas, e algumas excursões à praias cujo acesso é mais complicado, a BMW me pareceu mais habilitada pela maior agilidade e menor peso. Já se precisasse fazer uma viagem mais longa, Brasil afora, talvez o conforto da Triumph e seu motor mais gostoso de acelerar, e mais potente, me cativariam. Todavia, antes de qualquer coisa o que gostaria de pesquisar é qual o custo de manutenção de uma ou outra, fator que talvez determine efetivamente qual escolher já que, como disse, F 800 GS e Tiger 800 XC são muito parecidas.”

CLIQUE PARA AMPLIAR

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E das mãos de Roberto Moura Sales a F 800 GS seguirá para as de Decino de Oliveira, nosso colaborador-mecânico, para uma viagem de mais de 500 quilômetros interior de SP adentro. Na quinta seu relato. Não perca…

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  • Daniel…

    Olá, Professor.

    Gostei muito de sua apreciação lógica e prática tanto da Tiger 800XC, quanto da F800GS.

    Conclui-se da importância de um Test Drive com as motos para uma escolha pessoal, assim como a avaliação dos complementos: Atendimento na Concessionária, Valor de Seguro, Manutenção, etc.

    Somando-se todos estes quesitos, certamente faremos a melhor escolha de compra.

    Me preocupa apenas a resistência à corrosão destes dois modelos, algo constante no litoral brasileiro.

    Vamos observar o mercado, com novos lançamentos e a constante concorrência, extremamente vantajosa para nós Consumidores.

    Abraços motociclísticos e uspianos,
    Daniel…