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BMW F 800 GS, UM MÊS AO GUIDÃO – PARTE 3

Enviado por on 29 de Março de 2013 – 3:213 Comentários

Capa UMAG GS3Planos nascem para serem mudados, e a programada viagem de Decino de Oliveira, nosso mecânico e colaborador de décadas, titular da oficina paulistana Moto Hobby foi adiada para o final de semana da Páscoa. E assim, com a BMW F 800 GS circulou… eu mesmo, que nesta semana pré-feriado rodei pouco com a maxitrail alemã, mas de modo intenso, sempre na cidade de São Paulo. E no vai e vem urbano a pressa e os congestionamentos frequentes me fizeram ver um lado mau desta BMW, aquele que assusta o bolso do dono e faz feliz outro dono, o do posto de gasolina. Na correria desses pouco mais de 100 km rodados nestes quatro dias – na verdade três pois em um a moto ficou paradinha – o registro do consumo foi de tristes 14,24 km/l, o recorde negativo da BMW até então.

A bela tampa do tanque na lateral direita

A bela tampa do tanque na lateral direita

Confesso: “soquei a mão” na F 800 GS e, além disso, a moto tem pouco mais de 1.500 km rodados, o que certamente não a faz plenamente “rodada” para mostrar seu melhor desempenho em consumo, creio eu. Não se tratava de meu primeiro contato com o modelo, do qual já conhecia a versão anterior. Para mim, esta moto é um verdadeiro achado, um caso de sucesso plenamente justificado mas que tem um grande problema, talvez inerente à todas as BMW. Qual? O preço! Estes transbordantes 40 mil reais são, na minha visão, o único real inconveniente do modelo. Nesses 30 anos de motos para cá, motos para lá, pilotando de tudo para as revistas em que trabalhei, agora a MOTO!, no passado a Motoshow, é difícil encontrar no meu arquivo da memória uma moto que preencha tantas das características que eu particularmente aprecio em um veículo de duas rodas à motor. Nesta BMW o que mais me atraiu, e é o elemento que considero mais cativante em qualquer moto, é a maneabilidade. Que me desculpem os apreciadores das gigantescas tourer, das superesportivas ou das custom de grosso calibre, mas para me agradar, uma moto precisa ter agilidade, ser fácil, seguir meu pensamento antes mesmo que eu tenha usado músculos para colocá-la mais a esquerda, mais a direita. Esta BMW segue este meu gosto particular como bem poucas outras maxitrail.

O Pirelli Scorpion, bom no seco e no molhado também

O Pirelli Scorpion, bom no seco e no molhado também

Marginal Tietê, 17h30 da antevéspera do feriado. Eu e o mundo com pressa de não sei o quê, milhares de carros, vans, SUV, caminhões e motos se movendo ou tentando. Com a F 800 GS a tarefa de se esgueirar, mudar de pista, frear, acelerar, olhar pelo retrovisor e demais manobras do balé urbano são especialmente fáceis. Incrivelmente, me vi tendo prazer num local, a Marginal, que odeio – odiamos! – pelo perigo que representa para quem anda de moto. E para completar o “molho” do final de tarde… choveu! Não a cântaros, como ocorria há até alguns dias atrás, mas apenas uma chuvinha besta, suficiente para deixar o asfalto um perigoso patê de fuligem, óleo, gasolina e sujeira variada, o pior dos mundos para pneus de motos ou outra coisa qualquer que rode sobre borracha. Nesta condição maldita, ter a BMW F 800 GS calçada com os ótimos Pirelli Scorpion Trail foi plenamente reconfortante, assim como saber que o sistema ABS está ali, além do controle de tração ASC. Apesar da pressa, em nenhum momento tive de frear de modo mais intenso ou sentir o ASC trabalhando para me livrar de uma escorregada da roda traseira. Bom anjo da guarda o meu pois, como disse, estava com pressa, a pressa que resultou no recorde negativo de consumo, 14,2 km/l…

Gradinha do radiador: plástico empenado, em BMW, não pode...

Gradinha do radiador: plástico empenado, em BMW, não pode…

O que mais dizer desses 100 km com a BMW? Que o motor é um canhão, sempre pronto, espertíssimo, com uma resposta ao acelerador direta. Gosto também do câmbio – escalonemento e engates – assim como me agrada a “cara” angulosa deste modelo da marca alemã, com aquela bela tampa de combustível situada na lateral direita, faróis assimétricos, painel de instrumentos ovais e da cor e grafismos, que me remetem a um jeitão militar. Gastei um bom tempo apreciando os detalhes e, claro, procurando defeitos. Adorei os aros pretos, os canos de escape dourados como os tubos da suspenão dianteira, do revestimento do banco e seu desenho e também da mola branca do monoamortecedor traseiro. Não gostei de ver a gradinha plástico que encobre o radiador meio empenada e do botão de partida enroscar, me obrigando a puxá-lo de volta com os dedos. Se isso contunuar, teremos de visitar uma concessionária… Outra pequena “bobagem”, mas inadmissível em uma moto de pouco mais de mil quilômetros rodados, foi a perda dos acabamentos plásticos que tampam os orifícios laterais do chassi. Percebemos que eles estavam querendo cair, e várias vezes os empurramos para o lugar, mas não houve jeito: eles devem estar em um bueiro qualquer de SP, indesejados poluentes…

A ponteira é volumosa, e sem graça

A ponteira é volumosa, e sem graça

Para terminar, mais um “não gosto” seguido de um “gosto”: não gosto da ponteira de escape, volumosa, cilíndrica, prateada Acho que a GS mereceria algo com um design melhor, sobretudo menor, e no mesmo tom dos canos de escape, ou preta. Gosto dos cavaletes: lateral e central, firmes, fáceis de usar, robustos. Um exemplo de como se faz estes tão importantes elementos. E agora, de minhas mãos, a BMW parte para… a concessionária, para instalação de um top case e ver se aquele punho elétrico onde está o botão de partida é defeituoso mesmo. De lá, para as mão de Decino, que no feriado de Páscoa tentará recuperar os qulômetros que não rodamos esta semana. Na segunda as suas considerações.

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  • Rocão

    Concordo com Agresti: moto trambolho não dá. Prá que andar mais ou ser maior que esta F800GS? Quanto ao botão de partida, está virando reclamação recorrente. BMW é bacana demais, mas para mim os Japas(Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki) nada devem aos comedores de chucrute em termos de qualidade e confiabilidade. O pior não é dar 43 paus numa moto nitidamente com acabamento econômico: é ter uma aura de exclusividade que faz com que as peças e revisões custem um absurdo e a gente ainda tenha que achar bom, já que passamos a fazer parte do clube. Lá fora esta GS e sua irmã R foram feitas para popularizar a marca. Aqui, mantém-se a onda de grife. O metro quadrado onde estão instaladas as luxuosas e raríssimas concessionárias da marca são um entrave à camaradagem com quem quer usar a moto sem dó.

  • Lorenzo

    Grande Agresti! Sigo você há décadas e concordo plenamente com o trecho que fala da maneabilidade. Trambolho pode ser bonito de ver, mas para usar quanto mais leve e ágil melhor, né? Mas essa BMW é cara demais, e dá despesa na hora de manter pelo que soube. Verifiquem isso. Essa avaliação de um mês é a coisa mais indicada para conhecer uma moto de vedade. Parabéns a todos.

  • Gustavo Iser

    Esta moto é realmente muito boa, e sonho de consumo de muitos. Mas analisando bem a questão, e abrindo a mente para novas experiências, na mesma categoria(ou quase), temos a injustiçada Versys 650. Uma moto pouco vendida, mas com certeza a melhor de todas. Por um preço muito mais em conta, tem -se uma moto completa, bem feita, econômica, que anda bem e ainda por cima é ultra gostosa de tocar. Só não compra quem nunca andou.o custo é baixo na hora de manter. tive uma, vendi, me arrependi e vou comprar outra, com certeza.(hoje tenho uma GS 1200 Sport).