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BMW F 800 GS, UM MÊS AO GUIDÃO – PARTE 8 (FINAL)

Enviado por on 16 de Abril de 2013 – 23:425 Comentários

 

A F 800 GS rodou quase 6 mil quilômetros neste mês, 90% deles em rodovia.

A F 800 GS rodou quase 6 mil quilômetros neste mês, 90% deles em rodovia.

Para o derradeiro final de semana da BMW F 800 GS em nosso UM MÊS AO GUIDÃO, um percurso extenuante a quatro mãos acrescentou nada menos do que 1.122 quilômetros ao hodômetro da maxitrail alemã montada em Manaus. A escolha destas “quatro mãos” não se foi ao acaso: Alberto Trivellato é um grande conhecedor de motocicletas BMW – está em sua quarta R 1200 GS – e tinha uma grande curiosidade em conhecer mais profundamente a irmã menor de sua moto. Já Attilio Baroni, também muito experiente, é um dono de BMW F 650 GS e, assim como Alberto, desejava saber mais sobre a irmã maior de sua GS monocilíndrica.

Pneu traseiro, com desgaste maior na porção central.

Pneu traseiro, com desgaste maior na porção central.

Quem deu a largada ao tira-teima foi Alberto, partindo da capital paulista no sábado cedinho com destino à região de Campos de Jordão, na serra da Mantiqueira. Como companhia, outra BMW, uma R 1200 R Classic pilotada por uma apressada amiga. Para o colaborador, a viagem foi uma aventura. Eis o relato: “Choveu o tempo inteiro. Chuva fraca, média e forte, mas sempre chuva. Na parte do planalto o ritmo apressado não foi um problema. Porém, quando chegou a subida da serra, tive dificuldade para acompanhar a R 1200 R e acredito que parte da culpa está relacionada ao pneu traseiro da GS. Com quase sete mil quilômetros rodados, a maioria em estrada, o pneu está com um desgaste pronunciado na parte central, ou seja, ficou ‘quadrado’. E desse jeito o comportamento da moto não é o ideal. Se estivesse seco, não seria tão crítico, mas no molhado…”

O motor, vigoroso, um ponto alto da F 800 GS.

O motor, vigoroso, um ponto alto da F 800 GS.

Alberto tem razão. Nossa GS rodou 90% de sua quilometragem neste teste em rodovia. Fora isso o colaborador não é um tipo de motociclista que, digamos, economiza no acelerador. Fosse outro, com uma tocada mais tranquila, a questão do pneu “quadrado” passaria despercebida. Mas, mesmo com este senão, a F 800 GS surpreendeu favoravelmente o experiente dono de muitas BMW: “A saúde do motor bicilindro impressiona. Empurra bem em qualquer regime de rotação. As suspensões trabalham adequadamente mas, quando forcei o ritmo, além do problema  do pneu traseiro, achei a frente um tanto quanto incerta, não me passou confiança. Aliás, não é possível tirar nem uma mão sequer do guidão pois isso provoca umas chacoalhadas perigosas. Pensei que fosse por causa dos pneus desgastados, mas conversei com um amigo que tem uma F 800 GS e ele confirmou esta característica. Se caso tivesse uma moto destas, instalaria um amortecedor de direção. Outra alteração poderia ser quanto ao modelo dos pneus, talvez algo mais on-road, mais voltado para o asfalto.”

Farol, excelente, já a bolha parabrisa poderia ser maior.

Farol, excelente, já a bolha parabrisa poderia ser maior.

Crítica também mereceu a ausência de proteção aerodinâmica e o banco: “Depois de rodar quatrocentos quilômetros em um só dia o traseiro reclamou, e como, e a bolha parabrisa baixa não desvia o vento de modo eficaz. Além disso, faltam protetores de mão. Mas nada altera o fato de que, no fundo, gostei bastante da F 800 GS. Acho minha R 1200 GS mais moto, claro, mas eu teria esta 800 tranquilamente. Imagino que com pneus novos o comportamento melhoraria muito. Uma coisa que não gostei foi do controle de tração, que me pareceu atuar exageradamente mas que felizmente pode ser desligado. Por outro lado a frenagem é excelente, passando muita segurança. Dá para afundar a mão no freio sem medo nenhum pois a moto não ‘torce’, não muda de trajetória. Ponto positivo também vai para o painel, e o destaque é o grande indicador de marcha engatada, muito útil. De resto, gosto do visual, dessa cor e também da potência do farol. Um inconveniente na volta, também apressada como a ida – pertence a Alberto a marca-recorde de consumo máximo, 13,37 km/l!!!! – foi o sumiço do espelho retrovisor direito. Ele ‘fechou’ por conta da velocidade e eu não dei bola. Pouco depois ele não estava mai lá, sumiu inteiro, com haste e tudo. Depois vi que os espelhos desta BMW não tem rosca. A porca que prende a haste afrouxou e ele voou!”.

Retrovisor direito, sumiu na noite chuvosa da rodovia.

Retrovisor direito, sumiu na noite chuvosa da rodovia.

Das mãos de Alberto, a F 800 GS passou para as de Attilio Baroni, que com a companheira Simone Camargo zarpou para uma viagem bem menos apressada, e com tempo seco, felizmente, o que permitiu rodar pouco mais setecentos quilômetros. Eis o relato de Attilio: “Achei a F 800 GS uma moto muito especial. Sólida, robusta, traz consigo o verdadeiro DNA da aventura,  com anos de tradição e know-how na arte do fazer motos off-road. O visual é uma mescla de tecnologia de ponta com tradição. As recentes mudanças visuais caíram bem, deixando-a mais moderna. Há uma espécie de energia concentrada nesta moto, energia esta capaz de levá-la aos territórios mais distantes do mundo.”

Em Bragança Paulista, levada por Attilio Baroni.

Em Bragança Paulista, levada por Attilio Baroni.

A companheira de Attilio, Simone Camargo, sempre muito atenta aos detalhes de acabamento, elogiou o grupo ótico traseiro e as setas em LED, “lindas e muito à frente das motos que vejo na rua”. O fundamental baú é outro destaque – “um opcional recomendável que oferece acabamento primoroso, além da vantagem de se vakler da mesma chave que liga a moto” – comentou Attilio, que prossegue: “A F 800 GS é certamente a moto mais alta que já avaliei na vida, o que exige atenção. Subir e descer da moto exige planejamento, principalmente quando em piso escorregadio ou em aclives/declives. Da mesma forma, quem vai na garupa deve tomar cuidado para evitar situações inesperadas de desequilíbrio. O banco desta BMW me chamou atenção. Longo para dar espaço para duas pessoas, mas, estreito demais na região dedicada ao piloto. É certo que esse banco estreito permite uma melhor tocada no off-road, na pilotagem em pé. Mas, por outro lado, quantos serão os compradores que realmente fazem off-road com suas F 800 GS? Não seria mais adequado equipá-la com um banco mais confortável?”

O banco, alto e estreito na região dedicada ao condutor.

O banco, alto e estreito na região dedicada ao condutor.

Attilio certamente tem razão. A F 800 GS poderia sair de fábrica com um banco mais ao menos mais baixo, respeitando o biótipo dos motociclistas brasileiros, certamente de menor estatura que seus colegas europeus. Todavia, apesar deste pequeno inconveniente o colaborador elogia outros aspectos da F 800 GS: “O painel de instrumentos demonstra a vocação para viagens longas por ser bem completo mas achei a escala do velocímetro muito apertada, confundindo a leitura da velocidade principalmente à noite. Por outro lado os comandos de punho felizmente deixaram de ser exóticos, com tudo concentrado na esquerda. Ponto para a ergonomia! Outra coisa que gostei foi do som grave, denso, que sai da ponteira de escapamento.  E ao passar as marchas, segunda, terceira, quarta, quinta esta GS me lembrou um Stuka (ou Sturzkampfflugzeug) da 2ª Grande Guerra, o mítico bombardeiro de mergulho da Luftwaffe. Entre 2.500 e 4.000 rpm a GS emite um som único, que impõe sua forte personalidade. O motor bicilíndrico alia potência e economia, embora a vibração aumente acima dos 5.500 rpm.  O torque está bem presente em baixos regimes e torna a pilotagem muito prazerosa, diminuindo a necessidade das constantes reduções de marchas. Como nada é perfeito, não gostei do peso da embreagem, que tira um pouco da graça da tocada da GS especialmente em uso urbano. Por outro lado, o conjunto de suspensões é um dos grandes destaques da F 800 GS. Bem calibradas, ignoram irregularidades e massa extra (garupa e bagagem). Outros pontos que chamam a atenção são o sistema de freios e a iluminação. Sem sombra de dúvida o melhor farol de moto que conheço.”

O painel é simples e de fácil leitura.

O painel é simples e de fácil leitura.

Ao cabo de seus quilômetros, Attilo resume seus pensamentos sobre a F 800 GS: “Para mim os pontos positivos são as suspensões, o motor e o timbre do escape, a estabilidade, os faróis, freios, acabamento e a posição de pilotagem. É uma BMW que oferece grande prazer de pilotagem. Os pontos negativos? Apenas a embreagem pesada. O que poderia ser melhor? A legibilidade do painel à noite, amplitude visual dos espelhos retrovisores e o conforto do banco.”

O experiente Attilio acabou nos dando uma boa conclusão desses 31 dias de avaliação da BMW F 800 GS com seu resumo. Não houveram pontos nos quais os dez condutores que levaram a maxitrail nestes quase seis mil quilômetros discordassem de maneira importante. Resta assim a óbvia conclusão que a BMW F 800 GS agradou a todos sendo poucos os detalhes que mereceram crítica unânime, como por exemplo o banco, alto e pouco confortável para longos trajetos. Outro aspecto pouco positivo vem das “perdas” durante o caminho: pela estrada perdemos o logotipo esquerdo, tampinhas plásticas de acabamento do quadro de ambos os lados e o espelho retrovisor direito. Defeito, mesmo, só no punho direito que teve de ser trocado pois o botão de partida permanecia acionado indevidamente, o que, comenta-se, é um problema que vem afetando não apenas este modelo da BMW.

Tabelinha UMAG GS -FINAL''Porém, nada disso tira o brilho desta BMW, uma moto que é merecidamente um sonho de muitos motociclistas (apesar dos 43 mil reais…), e que se destaca por seus excelentes dotes dinâmicos, evidenciados não apenas pelo ótimo desempenho do motor e do conjunto ciclístico, mas também pela boa média de consumo obtida no teste, pertinho dos 18 km/l, e que em estrada, com a devida atenção, podem se transformar em 24 km/l.

Enfim, a BMW F 800 GS é uma moto “pau para toda obra”, que pode levar você com grande competência nos trajetos do dia a dia como na maior das aventuras por estradas (e fora de estrada!) mundo afora.

CLIQUE PARA AMPLIAR

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Abaixo, dados relativos ao custo de manutenção e das peças que necessitam ser recolocadas na F 800 GS para que ela volte a sua plena forma. Lembramos que, evidentemente, a garantia de fábrica cobre o mau funcionamento do botão de partida e a perda do logotipo. Mais complexo seria justificar como problema a ser coberto por garantia o sumiço do espelho retrovisor. E conforme prometido, divulgamos o valor do top case, opcional original BMW.Tabelinha UMAG XC8-FINAL''

 

TOP CASE VARIO: R$ 2.295,00 (instalado)

ESPELHO RETROVISOR: R$ 400,00 (instalado)

LOGOTIPO: R$ 110,00 (instalado)

 

 

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  • Bruno Sousa

    Anda mais que a Tiger 800???? Está na hora de refazer o teste de aceleração da Triumph, Não acham?????Abçs.

  • Lorenzo

    Grande avaliação. Completa e imparcial. Conhecer a moto sem andar graças ao site e aos redatores. Parabéns.

  • paulo Carvalho

    Excelente avaliação. O difícil é comprar algo novo sem apresentar algum defeito ou incomodo. O ponto mais crítico a meu ver de quase todas as motos, são os bancos.

  • ANTONIO AMÉRICO FILHO

    R$400,00!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Cainan

    Dizer que as pequenas falhas (emblema soltando, problema no botão de partida, retrovisor voando, tampas plásticas) não tiram o brilho da moto??
    Não sei não. Para quem vai só fazer un teste pode até ser. Agora para quem vai possuir a moto e ainda mais após a garantia acabar. Aí meu amigo, “haja coração” e dinheiro no bolso pois a maioria desses problemas tem grande possibilidade de serem recorrentes e em uma moto desse preço, considerada “premium” não acho que estes problemas sejam admissíveis. Juntando isso ao fato do babco ruim, sou mais a Tiger 800 XC