Novidades

Testes

Competição

História

Apresentação

Home » Destaques, Testes

BMW S 1000 RR HP4 VS. FERRARI 599 GTO

Enviado por on 2 de Abril de 2014 – 15:292 Comentários

 

IMG_6605De zero a 300 km/h em apenas 1.500 metros. Um desafio e tanto, que exige um volante e um guidão muito especiais…

Maio de 2012. Na pista de Vairano, no norte da Itália, mais um dia de testes acontece. A BMW S 1000 RR é a “vítima”, e na reta de 2 mil metros vão começar as medições de aceleração. Depois de quatro largadas nos damos por satisfeitos. Chega a hora de verificar os dados obtidos pelos equipamentos. Olhos fixos na tela do computador, esperamos o veredito, e um número surpreendente surge: 298,3 km/h em 1.500 metros!

“Não… não é possível!” Até aquele dia a mais veloz das superesportivas testadas ali tinha sido pelo menos 15 km/h mais lenta, demorando um longo segundo (!) a mais para percorrer os tais 1.500 metros saindo do zero. Depois de um momento de reflexão, a equipe presente troca olhares e todos pensam na mesma coisa: que tal tentar derrubar a barreira dos 300 km/h? Afinal, faltam “apenas” 1,7 km/h de velocidade para alcançar o objetivo.

De volta à pista, um par de tentativas e… voltamos para a tela do computador descarregar os dados que o equipamento de medição por GPS capturou. Melhorou? Sim, e roemos 1,2 dos 1,7 km/h que faltavam, mas “morremos na praia”: conseguimos a frustrante (mas ainda assim impressionante )marca de 299,5 km/h… Basta! Chegamos à conclusão que essa marca era a melhor possível de se obter sem correr riscos, o menor deles seria queimar a embreagem, o maior não conseguir frear nos restantes 500 metros da linha de asfalto, cujo comprimento total é de exatos dois mil metros.

Meio quilometro horário nos separou dos admiráveis 300 km/h, um nadinha, mas que ficou entalado em nossa garganta durante…

…UM ANO – Agosto 2013. Lembrando daquele dia em que quase conseguimos bater a marca dos 300 km/h em nossa pista, muita saliva foi gasta. Várias vezes tal assunto foi alvo de teorias variadas. Falamos da aerodinâmica, do como soltar a embreagem de maneira mais perfeita, como limitar a empinada, como trocar as marchas mais rapidamente e também de carros! O que conseguiria fazer um Lamborghini, Porsche, Maserati e outros desse gabarito jogando seus cavalos no asfalto através de seus larguíssimos pneus, tração integral e controles eletrônicos de alto nível? A aposta era que a moto seria superior nos 1.500 metros, mas isso era uma mera suposição.

Eis que um belo dia a BMW lança uma evolução de sua S 1000 RR, a HP4. Dotada de uma refinada eletrônica incluindo o “launch control”, dispositivo que ajuda nas largadas, além de um sistema de escape novo e pesando 3 kg a menos de peso graças às muitas peças feitas em fibra de carbono. Se a S 1000 RR normal, mais pesada, chegou a 299,5 km/h, esta HP4 chegaria aos 300 km/h certamente, não acham?

IMG_6860

A confirmar esta suposição estava sua majestade, a relação peso-potência: nada influi mais no desempenho de um veículo que a básica conta, que coloca quilos de um lado e cavalos do outro. Nesse duelo motocicletas sempre se sobressaem frente aos carros. Sem piloto, a S 1000 RR consegue alcançar uma incrível marca de menos de 1 kg por cavalo, mais exatamente 0,87 kg para cada cv, já que a BMW S 1000 RR HP4 tem peso a seco declarado de 169 kg e 193 cv de potência. No mundo dos automóveis de série, por mais especiais que eles sejam, relação peso-potência semelhante não existe. Apenas os Fórmula 1 chegam a este patamar…

Levar um Fórmula 1 para nossa pista de teste seria interessante, mas bem difícil. Mas, e um supercarro? Desses que custam os olhos da cara, dotados de tecnologia tão elevada quanto a conta bancária de quem os compra, por exemplo, uma Ferrari 599 GTO?

IMG_7020

O que parecia um sonho irrealizável logo começou a se tornar verdadeiro e em breve a data do duelo estava marcada. De um lado a poderosa BMW S 1000 RR HP4, do outro a exclusiva 599 GTO, que segundo a própria Ferrari é o mais rápido modelo da marca do “cavallino rampante”, recordista da pista de testes de Fiorano, com o tempo de 1min24s.

Seu V12 situado na dianteira é capaz de gerar 670 cv, que porém devem empurrar mais de 1.600 kg em ordem de marcha, o que transforma sua relação peso-potência em mixaria (!!!) diante daquela exibida pela BMW S 1000 RR HP4. Porém, muitas vezes o que se lê na ficha técnica não tem respaldo na realidade e a prática, em muitas ocasiões, faz a teoria ir para o buraco. Então, nada melhor a fazer do que levar a Ferrari 599 GTO para a pista e confrontá-la com a mais poderosa das BMW, certo?

IMG_6744

DUELO – Não se trata apenas de um duelo entre uma supermoto e um supercarro, mas sim de uma briga contra as leis da física e contra o “muro” dos 300 km/h a ser superado em um espaço limitado aos 1.500 metros úteis da pista de Vairano. Para saber quem começaria, uma moeda é jogada para o alto: cara BMW, coroa Ferrari. Deu coroa.

O motor V12, verdadeira joia da tecnologia, emite um urro de arrepiar. Uma sinfonia de pistões, válvulas e engrenagens que tem em um sofisticado sistema eletrônico de gestão um aliado insubstituível. Nos segundos que precedem a largada o piloto rememora sua missão: acelerar fundo durante os 1.500 metros e se pendurar no freio parando o “brinquedo” nos 500 metros restantes. Parece fácil? Talvez.

Como uma bala de fuzil, a 599 GTO parte. Um foguete com rodas, cujos pneus traseiros se esfregam por um instante no asfalto, o justo tempo para causar aquela característica fumaça branca. Contudo, logo o controle de tração se encarrega de limitar o patinamento, e deixar à eletrônica a tarefa de transmitir o máximo de potência ao solo, sem desperdício.  Na Ferrari, o problema de exagerar no acelerador não existe e também não há chance de, como na moto, empinar e virar para trás…

Segunda, terceira, quarta marcha… a progressão é impressionante, o empurrão cola as costas do piloto no banco, cujo cinto de segurança de quatro pontos não deixa dúvida quanto ao potencial esportivo deste carro. A agulha do contagiros sobe veloz rumo à marca de 9.000 rpm e a do velocímetro não deixa barato, também buscando o fundo da escala.  Sensações? Fora o empurrão furioso do V12, que faz a velocidade crescer de modo incomparável ao da maioria dos veículos de quatro rodas sobre a face da terra, a Ferrari 599 GTO oferece uma tremenda sensação de segurança: estável, precisa, magistralmente exata. Porém, manter o pé embaixo quando se vê chegar a placa que avisa o ponto exato dos 1.500 metros, hora em que o pé deve pular do acelerador para o freio, exige certa (muita, na verdade…) coragem.  Ainda bem que do mesmo jeito que a Ferrari acelera, ela freia, e nesse momento o cinto de segurança ser tão profissional é uma benção, pois mesmo os mais musculosos braços teriam dificuldade de conter o peso do corpo querendo ir de encontro ao volante, a cabeça exigindo toda a força do pescoço, os olhos querendo pular das órbitas…

IMG_6786

Chega a vez da BMW: entre os quatro modos possíveis, selecionamos o controle de tração no mais malvado deles, o “Slick”, que é o menos invasivo. Depois de um par de tentativas resolvemos descartar o uso do Launch Control, que no atual estágio de desenvolvimento ainda perde em eficiência para um piloto habilidoso.

Os preparativos para a primeira tentativa terminaram, é hora de colocar a roda dianteira na linha branca que delimita o início dos 1.500 metros. Com o corpo inclinado à frente, o piloto leva a rotação até as 8 mil rpm, pé esquerdo no câmbio, primeira espetada e… largada!

A embreagem patina por menos de uma dezena de metros, a HP4 pula para a frente como um gato. A roda dianteira decola violentamente assim que o ponteiro do contagiros passa da marca das 9 mil rpm. Segunda engatada, a roda continua no ar e apenas quando a terceira marcha entra é que o contato com o solo é recuperado, permitindo levar o motor até a intervenção do limitador de giros, que ocorre às 14 mil rpm. Com o capacete colado no tanque, quarta, quinta e sexta marcha se sucedem em instantes. O canto do olho vê 290 km/h no painel digital e… daqui em diante, melhor olhar apenas para a frente para ganhar os últimos 10 km/h que faltam ao nosso objetivo, e não perder – claro – o ponto de frenagem.

300 kM/H = 83 M/S – O olhar busca os cones situados na lateral da pista, pouco antes da placa que avisa a chegada à marca dos 1.500 metros. Perto de 300 km/h, enxergar essas referências é quase como ver uma bala sair do cano de um revólver. Assim que a placa surge, a mão direita imediatamente deixa o acelerador em paz e os dedos buscam ansiosamente o manete de freio, apertando-o violentamente. A 300 km/h a moto percorre 83 metros por segundo, e do momento em que o cérebro emite a ordem para acionar o freio e o corpo se ergue, esticando os braços para suportar a força da desaceleração, quase 100 dos 500 metros disponíveis de asfalto para parar antes de a pista acabar já ficaram para trás. E 400 metros não parecem muito a tal velocidade. A alicatada no freio dianteiro deve ser forte, precisa, decidida.

De volta à tela do computador para analisar os dados, descobrimos que o sentido de preservação falou mais alto e nosso piloto começou a frenagem antes da hora. Sem problemas: levar a BMW S 1000 RR HP4 de volta à reta será um prazer, e depois de outras quatro tentativas nos demos por satisfeitos. Agora os aparelhos de medição nos dariam a ansiada resposta: conseguimos ou não os tais 300 km/h?

Não! A Ferrari 599 GTO alcançou 290 km/h redondos, nos revelando o que já imaginávamos: em 1.500 metros todas as motos superesportivas deixariam a “rossa”para trás.

E a BMW? Também ela ficou devendo, não conseguindo alcançar os tão sonhados 300 km/h, registrando “apenas” 298,5 km/h, ou seja, marca 1 km/h pior do que a obtida mais de um ano antes pela S 1000 RR standard.

Qual a razão? Dois são os fatores que podem ter prejudicado a HP4 nesta tentativa: apesar de ser mais leve, esta versão da BMW s 1000 RR tem um pneu traseiro mais largo e portanto mais pesado e gerador de maior atrito. Outro fato importante é que nas medições feitas em 2012 a temperatura do ar era de  16°C contra os mais de 30ºC nesta ocasião. Como se sabe, uma temperatura externa elevada faz o rendimento do motor diminuir.

IMG_7041 postpro

Ter conseguido chegar tão perto – faltou apenas 1,5 km/h para os 300! –  foi tremendamente frustrante, mesmo considerando as condições climáticas não ideais. De qualquer modo, a batalha contra o monstro vermelho de quatro rodas e seus 670 cv foi vencida por larga margem, nada menos do que 8,5 km/h de velocidade maior para a moto na marca dos 1.500 metros, que em tempo resultou em vantagem importante, 24s7 para a BMW e 27s2 para a Ferrari. Aliás, em todas as medições realizadas a BMW foi mais rápida do que a Ferrari, e o único registro que favorece o carro em relação à moto é a frenagem, onde evidentemente os quatro larguíssimos pneus oferecem uma área de contato com o asfalto que não dá chance de ser compensada pelo menor peso da BMW S 1000 RR HP4, uma máquina emocionante e capaz de oferecer uma relação melhor que a peso-potência: a dinheiro investido versus emoção oferecida!

 Texto: A. Padovani/Fotos: M. Zamponi-DUERUOTE/Tradução: R. Agresti

desempenho bmw vs ferrari

ficha ferrari ficha bmw hp4

notas bmw vs ferrari

LEIA TAMBÉM:

  • Tabajara – São Carlos – SP

    Creio eu que se essa reta tivesse um pequeno declive, ela até passaria dos 300 km/h. Aqui em São Carlos, SP, na baixada do Varjão(2 km de extensão), umas supersportivas já passaram dos 305 km/h.
    Só minha CB 450 ainda não chegou nisso, eh, eh!

  • leonardo fernandes

    Tabajara, o que eu não entendi foi por que eles fizeram
    essa mediçao com largada parada, aos invés de sair lançado
    da curva, já que a pista é relativamente curta para uma mediçao
    dessas.
    poderiam sai da curva nuns 80 km/h por exemplo e a partir daí
    acelerar forte. tenho certeza que a moto daria mais uns 10 km/h de final e o carro uns 30.