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HIGHLANDER! – 24H COM A YAMAHA XTZ 250

Enviado por on 8 de Agosto de 2014 – 7:301 Comentário

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Torturamos a Yamaha XTZ 250 Lander 24 horas sem parar, no asfalto e na terra. Será que ela aguentou?

Texto: B. Mariani/fotos: M. Moretti – Matéria publicada em 2006

Desde que anunciaram o lançamento da Yamaha XTZ 250 Lander, nós, de MOTO!, ficamos ansiosos para pilotar a novidade. E, para falar a verdade, um teste normal não bastaria. Então, lá fomos nós para mais um Teste 24 Horas…

Largada!

De acordo com a proposta on-off road da XTZ, este 24 Horas contou com um traçado que mesclou asfalto na maior parte do percurso e um pouco de terra, bem irregular e com um pequeno salto – a especificação trail da moto nos levou a contornar uma elevação maior que havia na pista, coisa adequada para motos especiais e não para uma trail.

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Iniciamos o teste às 13h30, sob sol forte e muito calor. O primeiro a entrar na pista foi o experiente piloto de motocross Wellington Valadares, goiano que conta com muitos títulos em seu currículo. Wellington percorreu nos primeiros trinta minutos 39,4 km e, na parada para beber água, já que o próximo turno também estaria a cargo dele, expressou sua opinião sobre dois elementos da moto: o freio dianteiro, que não estava muito eficiente (mostrava-se insuficiente para a tocada esportiva), e a ausência de um guia de corrente, que fez falta principalmente na parte fora-de-estrada, onde a corrente oscilava muito. Ao fim de seu segundo turno, Wellington somou mais 52,4 km, resultando em 91,8 km nos dois turnos. Foram consumidos 5,5 litros de combustível, média de 16,6 km/l.

_MG_1570Wellington Valadares, 41 anos, 85 kg, 1,72 m - “Como a Lander demorou muito para ser lançada, eu esperava um pouco mais. Gostaria que ela fosse um pouco mais estreita, e que tivesse um freio dianteiro mais potente – achei-o péssimo, muito borrachudo e sem eficiência. A ciclística é boa, e o aspecto geral também – destaque para o painel, bonito e de fácil leitura. O câmbio é muito bom.

Não gostei do fato de não haver guia de corrente, um crime ao se considerar que esta moto também vai andar na terra. Como havia um bom trecho de terra, com freada forte e muitas ondulações, eu fiquei com receio de a corrente pular fora da coroa. Dava pra perceber ela vibrando e fazendo barulho.”

O próximo a entrar na pista foi Edu “Minhoca” Zampieri, após a troca de óleo (1,35 litro). Minhoca começou seu turno com muita disposição e velocidade, porém, logo parou por conta de um barulho na roda traseira: três prisioneiros da coroa haviam se soltado. A falha, neste modelo de pré-série, provavelmente foi gerada pela aplicação insuficiente de trava-química nas roscas, durante a montagem. Um dos prisioneiros chegou a causar um pequeno desgaste na parte interna da balança. Para ser rápido e não atrapalhar o bom andamento do teste, foi trocada a roda completa, que já estava pronta.

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Após os ajustes, Minhoca retornou à pista e… retornou ao box. Novo susto! Ao arrancar com a moto, ouvia-se um estalo na transmissão final, eliminado com um ajuste na corrente. Segundo a Yamaha, nas motos de linha foi modificado o desenho da coroa, de modo a permitir melhor encaixe da corrente. Em turno dobrado, Minhoca concluiu sua tumultuada estréia abrindo outro turno, percorrendo 97,7 km no total, consumindo 6,9 litros de combustível, média de 14,1 km/l.

_MG_1840Eduardo Zampieri Silva, 33 anos, 84 kg, 1,88 m - “Apesar de ter andado muito com a Lander, ainda não tenho certeza do que exatamente não me convenceu. Conheço bem a Tornado e, mesmo depois de viajar com as duas, não consigo chegar a uma definição clara de qual é melhor. Talvez por ela não existir…

A Lander não é pior, mas também não é melhor. Ganha aqui e ali, mas perde em pontos importantes. Achei a nova moto da Yamaha mais voltada para ruas e estradas de asfalto e menos para terra, já que seu porte, com tanque grande e alto, privilegia uma tocada mais touring, apesar do banco duro.

O disco de freio traseiro, na minha opinião, não é mérito algum, é obrigação – nisso a Tornado apanha feio. Quanto à injeção eletrônica, realmente este é um item que agrada bastante, principalmente nas reacelerações rápidas. A Lander parece ser uma moto maior do que uma 250, e isso é bom para quem é alto como eu. O painel vence o da Tornado por contar com marcador de gasolina, item que nem a Yamaha XT 660 tem. Quanto ao conta-giros, não faria falta nenhuma se não existisse, pois sob a luz do dia e na terra é pouco utilizável.

A tampa do tanque é pobre demais para uma moto de R$ 12 mil; seria legal um modelo mais esportivo. As rodas de aço, iguais às da XT 225, então, nem se fala, tomam pau feio da Tornado. A cor azul é um show, a moto aparenta ser a XT 660R ou as especiais de enduro/cross da marca. A ciclística é ótima e a posição de pilotagem idem. A XTZ demorou, como a Fazer que veio bem depois da Twister, e por isso eu esperava um pouco mais; no entanto, este é um produto válido, que segue a receita do que está dando certo. Certamente a Honda não vai deixar barato…”

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Walter Teixeira, gerente-comercial da AVA Industrial – representante Kawasaki no Brasil – e motociclista há muitos anos, foi o responsável pelo quinto turno. Numa “pegada” bem mais suave que a de Wellington e Minhoca, Waltinho rodou 41,2 km. Em seguida foi a vez de Octavio de Campos Mello, motociclista de longa data, pegar o guidão da Lander. Nesse turno, que começou durante o dia e acabou à noite, a temperatura caiu bastante. Mas não foi só a temperatura que caiu, Octavio também! Nada grave, ele rapidamente levantou a moto, mas não conseguia religá-la de forma alguma. A XTZ tem um sensor de inclinação lateral que desliga o motor em caso de tombo. Após gritaria da galera no box, Octavio desligou e ligou a chave, “ressuscitando” a Lander, que nada sofreu com a queda. Já o piloto, teve que ouvir algumas piadinhas dos colegas de 24 Horas, já está até se acostumando… Nesses dois turnos, Waltinho e Octavio rodaram 90,3 km com 5 litros de gasolina, com média de 18,6 km/l.

_MG_1342Walter Teixeira, 44 anos, 102 kg, 1,76 m - “Gostei muito da XTZ 250, ainda que a suspensão traseira seja um pouco dura. Para o meu peso, achei-a um pouco fraca, ainda que a retomada seja muito ajudada pela injeção eletrônica. Na terra, a alimentação inteligente faz a diferença, a moto responde rápida e agilmente. Achei que o motor vibra mais que o normal para um motor com eixo balanceador – a minha mão chegou a formigar nas tocadas mais longas. Esteticamente, aprovação total. Quanto ao preço, achei-o coerente, diante da modernidade do produto.”

_MG_1842Octavio B. Campos Mello, 43 anos, 82 kg, 1,82 m - “Gostei da Lander, apesar de o barulho do motor ser maior que o do escapamento… Ela vibra um pouco, mas tem freios bons, câmbio ótimo e um visual que agrada muito. O painel é legal, muito moderno. Gostaria que a Lander tivesse mais uma marcha, que a faria rodar “mais solta”, aumentando o conforto em alta velocidade.”

E a vaca foi pro brejo!

Os turnos foram se seguindo durante a noite – Quinho Caldas, Wellington, Minhoca – até que, no décimo turno, Waltinho passa pelo box e grita algo. O pessoal, “sonado”, não entendeu muito bem, e nosso nobre assistente de arte, Tiago “Creck”, exclamou: “A vaca caiu!” Ele chegou a subir na Tornado para socorrer o animal, enquanto a galera caía em gargalhada: o que havia caído fora a PLACA, cujos parafusos se soltaram por conta da trepidação. Os turnos continuaram, e a vibração da Lander, apesar de discreta (pois o motor tem eixo balanceador), faria mais uma vítima: a ponteira do escapamento também se soltou e caiu.

_MG_1858Quinho Caldas, 47 anos, 94 kg, 1,72 m - “Gostei muito da Lander. Seu visual é extremamente agradável, muito bonita mesmo. A posição de pilotagem é bastante confortável. Ao contrário de alguns, acho que o painel tem uma visibilidade fácil e seu conta-giros também. Não gostei – diferente da versão que andei no Japão – do freio dianteiro, ruim; embora depois que mudamos a altura do manicoto ele tenha ficado com melhor empunhadura. Mas continuava um pouco borrachudo. Acho que os problemas que aconteceram com ela – prisioneiros da coroa e parafuso da ponteira do escapamento que se soltaram – são basicamente de uma moto pré-série. Achei que a Lander passou com louvor pelo Teste 24 Horas, já que essa pista, Kartódromo Toca da Coruja, é ideal para um teste com moto dessa cilindrada, por também ser utilizada em etapas do Campeonato Brasileiro de Supermoto, assim pudemos avaliar muito bem os freios, suspensões, posição de pilotagem, etc…”

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Com o frio da madrugada, os pilotos andaram num ritmo menor e, justamente por conta disso, conseguimos nesse período o menor consumo de combustível do teste: Wellington, em turno dobrado, andou 105,9 km com 5,2 litros de gasolina, uma média de 20,3 km/l. Logo na sequência, Minhoca voltou à pista para mais um turno dobrado e obteve a sua melhor média de consumo no teste: 101,4 km com 5 litros de gasolina, média de 20,2 km/l. Nesse turno, Minhoca, utilizando nosso equipamento de medição via satélite, constatou que a Lander, no final da curta reta – onde se alcançava a maior velocidade na Toca –, marcava em seu velocímetro 102 km/h, enquanto a velocidade real era de 93 km/h.

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O teste seguiu tranquilo, nova intervenção mecânica só foi acontecer às 7 da manhã, para a troca dos pneus – um novo na frente e um seminovo atrás, aquele mesmo que tinha sido trocado por causa dos prisioneiros da coroa soltos no começo do teste. Após o sol aparecer, o ritmo aumentou novamente, e o consumo, também. Quinho e Wellington somaram 105,8 km em seus turnos, e utilizaram 5,9 litros de gasolina, com média de 17,9 km/l. Ao meio-dia, Quinho entrou para realizar o último turno, com uma hora e meia para completar as 24 horas do teste. Somando a quilometragem de Quinho com a de Minhoca, foram 131,7 km com 7 litros de combustível, uma média de 18,81 km/l. Missão completa! Descanso pra Lander? Que nada, ela ainda teve de voltar rodando até São Paulo, com “mão embaixo”…

Na opinião geral, a Lander é uma forte concorrente no mercado. O freio a disco traseiro, a injeção eletrônica e o marcador de combustível são boas armas dessa nova Yamaha. Porém, as rodas e a balança de aço não condizem muito com a novidade e foram bastante criticadas. A falta de um guia de corrente também foi condenada, ainda mais por se tratar de uma on/off-road. Entretanto, todos gostaram da economia, da dirigibilidade e principalmente da estética – por onde a Lander passa realmente ela chama a atenção. Seu preço também é muito competitivo frente ao da concorrência: R$ 12.840.

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Resultados das medições feitas com equipamento via satélite

24h xtz x tabela tempo

24h xtz x ficha tecnica

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  • Tabajara

    A Lander é mesmo um maquinão, com escapamento esportivo então, ideal.