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HONDA XRE 190: O TESTE

Enviado por on 4 de Novembro de 2016 – 11:41Comente
 

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XRE Júnior

Entre 150 e 300, a 190 é a nova ponte do mercado de motos trail.

Texto: R. Agresti/J. Rosenfeld/Fotos: Caio Mattos

É preciso ser um grande conhecedor da alma motociclística brasileira para dizer que a Honda XRE 190, que chegou às revendas da marca no final do mês de maio, será mais um sucesso da marca da asa? Claro que não! Basta apenas abrir os olhos e ver o que está nas ruas; cada vez mais o gosto geral tende às motos que exploram a típica arquitetura trail e que, ano após ano, vêm incorporando elementos de conforto, praticidade e segurança. Amplos bancos próximos do solo, bagageiros pensados para receberem baús, completos e atraentes painéis, pneus plenamente voltados para um comportamento excelente no asfalto e freios – ah, os freios! – dotados de sistemas tais como o CBS, a frenagem combinada, ou o mais avançado ABS. Ou ambos.

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Para a Honda tirar da cartola a XRE 190 foi algo como fazer lé com cré, somar um mais um. A receita? Pegue o motor da recentemente apresentada família 160 e acrescente milímetros (de 57,3 para 61mm) ao pistão. Reforce a base para aguentar o tranco gerado por 11,6% a mais de potência e 5% de torque. Vista isso com as roupinhas chiques da irmã maior XRE 300, painel e aros de roda “fashion week”e… voilá! Esta feito mais um sucesso. Ah, e não esqueça dos 3 anos de garantia, das sete trocas de óleo grátis e do inédito freio ABS apenas na roda dianteira.

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Ao final, estabeleça um preço mezzo-a-mezzo entre a NXR 160 e a XRE 300, R$ 13.300. Que tal, vai vender ou não vai? Vai, claro, apesar da crise e por causa dela, inclusive, pois é uma pequena moto que enche os olhos, que tenta até quem está de bolso apertado ou esperando juntar mais moedinhas para comprar algo mais robusto, maior ou diferente. Lembrem-se: novidade, quando boa, anima o cliente a gastar! E a XRE 190 é assim, uma boa novidade.

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NA PISTA – Nosso primeiríssimo contato com a XRE 190 ocorreu no asfalto da pista do Haras Tuiuti, no interior de São Paulo. Apesar do cenário, a 190 é o extremo oposto do que consideramos uma moto esportiva, mas no circuito ela demonstrou bons dotes dinâmicos. Pudemos frear muito forte para comprovar a eficácia do ABS e deitar até raspar as pedaleiras. Os pneus Pirelli MT60 providenciaram excelente aderência, exibindo que a proposta on/off é muito mais para “on” que para “off”.

Ela faz curvas quase como uma bicicleta: basta pensar para que lado se quer ir que ela já foi. O guidão largo e os pneus finos contribuem para tal característica. Uma vez deitada, se mantém estável até raspar as pedaleiras no solo. As freadas ocorrem em distâncias bem seguras e o ABS só intervém em caso extremo, como deve ser. Velocidade? Na reta, que não é muito longa – cerca de 400 metros – sofreu para passar dos 100, com sorte em algumas passagens chegou aos 110 km/h.

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NA TERRA – Em um percurso off-road (de fato uma estradinha cheia de pedras sem grandes dificuldades) a XRE foi competente. As suspensões lidaram bem com as irregularidas, o motor tem torque mais que suficiente para encarar ladeiras e uma tocada sem pressa – e sem pretensões de verdadeira off-road – principalmente por causa dos pneus que, como já dissemos, são mais voltados para o asfalto. Por outro lado, o ABS impressionou por seu funcionamento eficaz em pisos escorregadios. Atua apenas na roda dianteira e o freio traseiro, progressivo, permite controlar bem as derrapagens. Mesmo em pisos escorregadios como terra molhada, por exemplo, a sensação é de segurança, mas não é o caso de frear forte em curvas pois mesmo com ABS a frente escapará. Um pequeno senão ficou por conta da posição do guidão, talvez muito recuado e levemente curvado para trás, o que não ajuda muito na hora de pilotar em pé. Mas, pensando bem, ela não é para isso. Vai fazer trilha? Escolha uma CRF, oras…screen-shot-2016-11-04-at-10-19-55-am

NA ESTRADA – Andando em rodovia a XRE consegue manter o limite de 120 km/h sem muito drama. O motor trabalha em regime elevado, 8.500 rpm, e quando surge um aclive a velocidade cai para 110 km/h indicados, mesmo com o acelerador todo aberto. No geral, ela consegue acompanhar o ritmo dos carros, não é preciso se esconder na faixa da direita e rodar junto com os caminhões. Ainda bem…honda-xre-190-5honda-xre-190-6

Quanto ao conforto temos aí um ponto alto. O motor apresentou baixos níveis de vibrações, mas por volta de 110 km/h parece sossegar. A carenagem frontal providencia alguma proteção aerodinâmica desviando parte da pressão do vento. A posição de pilotagem totalmente ereta significa que somos constantemente empurrados para trás quando em velocidade elevada, mas o amplo assento permite variar a posição e, sentando recuado há como inclinar o corpo à frente e “furar” melhor o vento. O consumo de combustível – o motor estava pouco rodado – foi um tanto altinho nesse tipo de uso no qual a rotação está sempre nas estrelas e o acelerador “socadão”, na faixa dos 27 km/l.

NA CIDADE – Já dissemos: ela é explicitamente uma “trail urbana”. Portanto a cidade é seu território favorito. A posição de condução, ereta e com amplo espaço para as pernas e um assento largo, é ideal para passar longos períodos rodando em velocidade reduzida. O motor também se mostrou perfeito para o 0-70 km/h metropolitano. Ela arranca com vontade nos semáforos auxiliada pelas primeiras duas marchas bem curtas. Leva apenas 4,68 segundos para atingir os 60 km/h e, mantendo tal velocidade, o medidor de consumo instantâneo do painel (sim, tem isso!) chegou a marcar 51 km/l! Portanto, se a XRE 190 ficar rodando a maior parte do tempo em avenidas livres (onde?), superará tranquilamente os 400 km entre cada abastecimento, com gasolina. A luz da reserva se acenderá quando restarem apenas 3 dos 13,5 litros do tanque. Bom né?

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Não é só a boa ergonomia que garante conforto, mas as suspensões também. Assim como na terra, nas esburacadas vias da capital paulista ela “engoliu” tranquilamente  até as irregularidades mais pronunciadas. Este talento aliado ao ABS e à performance não exagerada do motor fahonda-xre-190-47zem da XRE 190 uma das motos mais seguras para se locomover dia a dia. Além disso, é divertido poder passar por buracos e
lombadas sem precisar frear muito ou se preocupar em
desviar. Por falar em lombadas, foi apenas quando pulamos sobre elas que sentimos a traseira sair do solo, mas não muito. Uma coisa que gostaríamos de ter visto nesta XRE seriam aros de alumínio, não tanto por serem mais leves, mas sim pela maior resistência aos trancos e barrancos. Mas eles custam mais que os bem honda-xre-190-46bonitos aros de cromo escuro, fabricados com o mais comum (e deformável) aço.

O guidão tem 821 mm de largura de ponta a ponta e não atrapalha muito na hora de pegar o corredor entre os carros, mas é este o aspecto menos urbano desta moto pois é claro que uma CG ou uma Twister são mais estreitinhas que ela. Por outro lado, o raio de esterço é tão bom que as manobras são muitos facilitadas. Um certo calorzinho do escapamento, que passa bem rente à perna direita, lembra que trata-se de uma motocicleta com motor a combustão interna, ou seja, para andar põe fogo no combustível e… gera calor!  E quanto à embreagem, ela é super leve e não cansa nada. Já o câmbio, geralmente macio e agradável de utilizar, às vezes dificulta a vida quando se quer reduzir várias marchas consecutivas de uma vez só. Uma coisa que poderia ter sido incluída no projeto desta nova XRE 190 é um farol de led ou pelo menos uma lâmpada mais animadinha pois achamos a iluminação meio capenga.

O propulsor não vibra muito e nem é ruidoso. Meio termo entre o 160 (do qual é parente) e o 300cc, é um pouco mais rumoroso que o primeiro e menos que o segundo, idem em termos de vibração. Este novo 190cc (de fato 185 cc) reclama abaixo de 3.000 rpm e começa a desenvolver bem depois dos 4.000 rpm. Dificilmente exige superar os 7.000 rpm em uma tocada relaxada. É o tipo do motor que encara com uma tranquilidade surepreendente até as mais inclinadas ladeiras, subindo todas em segunda marcha.

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ENTÃO? – A nova XRE 190 veio com a evidente missão de tapar um pequeno buraco em nosso mercado, o vão existente entre as trail 150/160 e as 250/300. O preço obviamente está na coluna do meio entre as citadas.

Após poucos dias rodando pela cidade percebemos que a novidade chamou muita atenção e gerou forte interesse. Como dissemos no início, temos certeza de que a Honda XRE 190 será um tremendo sucesso de vendas, deixando seus donos felizes com a compra pois cada dia que passamos com a novidade – e foram poucos – nos admiramos cada vez mais com seu bom comportamento geral. É um produto moderno, seguro, econômico, versátil, confortável e muito bem acertado. O design ficou impecável e até mesmo seu preço não está exagerado. Enfim, outra bola dentro da Honda…..

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