Novidades

Testes

Competição

História

Apresentação

Home » Destaques, Novidades, Testes

KTM 1190 ADVENTURE: O TESTE

Enviado por on 23 de Outubro de 2015 – 15:08Comente
 

_EPI5702
Alta Esportividade

Texto: Julio Rosenfeld/Fotos: Gustavo Epifanio

Elevado nível de conforto e tecnologia somada a muita esportividade. Eis a receita da maxitrail austríaca

Veloz como uma bala de revólver e mais confortável que o sofá da sala. Assim é a KTM 1190 Adventure, que recentemente chegou às concessionárias da marca no país. Por salgados R$ 79.000 ela oferece um motor V2 de 1.195 cc, o LC8, derivado do usado na superesportiva RC8. Rende impressionantes 148 cv de potência e brutais 12,7 kgf.m de torque e, se você procura uma maxitrail bem potente, esta é certamente uma opção empolgante!

_EPI5643

O QUE É – A 1190 pode ser uma novidade para nós, mas na realidade ela já circula no mercado europeu desde 2013. Sua receita é semelhante à da italiana Ducati Multistrada pois ambas utilizam motores bicilíndricos em V derivados de superesportivas e possuem potência, torque e até o peso semelhantes, ou seja, são concorrentes diretas. Há ainda uma variante mais off-road desta KTM, a 1190 Adventure R, que é a verdadeira sucessora da pioneira 990 Adventure. Equipada com rodas maiores, pneus mais finos e maior curso de suspensões, a Adventure R ainda não é importada para o Brasil.

A eletrônica embarcada ocupa um papel de grande importância nas motos atuais e nesta KTM isso não poderia ser diferente. Há quatro modos de condução que alteram o gerenciamento do motor, nível de intervenção do controle de tração, regulagem das suspensões (eletrônicamente ajustáveis) e atuação do sistema de freios C-ABS com MSC – freios combinados com ABS que atua em curvas. No modo Sport ela entrega toda a potência de maneira brutal, firma as suspensões e deixa a atuação do controle de tração bem reduzida, permitindo pequenas escorregadas e empinadas. No modo Street ela mantém a potência máxima, mas com mais intervenção do controle de tração e as suspensões fica mas macias. No modo Rain a potência é reduzida a 100 cv e o C-ABS e controle de tração ficam na vigilância máxima, com suspensões em um ajuste ainda mais macio. Selecionando Off-Road ela mantém os 100 cv, mas o controle de tração permite que a roda traseira gire duas vezes mais rápido que a dianteira. Já o C- ABS atua de modo a permitir o travamento apenas da roda traseira, mantendo a dianteira com o antitravamento, e as suspensões também ficam no modo mais macio. Foi com este modo que conseguimos realizar as derrapagens na terra!

_EPI5669 _EPI5658

A maior novidade desta KTM é o moderníssimo MSC (Motorcycle Stability Control), aparato eletrônico que otimiza o funcionamento do ABS em curvas. Graças a ele, a moto supostamente não reage levantando imediatamente quando freamos forte com a moto bem inclinada, evitando uma abertura da trajetória e um provável acidente. Esta foi a primeira moto que testamos com tal equipamento.

_EPI5678 _EPI5659

Ao contrário do que vimos em outros modelos com eletrônica complexa, a 1190 Adventure não permite selecionar o nível do controle de tração em cada um dos modos disponíveis e não há como ajustá-lo de acordo com a preferência. O ABS e o controle de tração podem ser desativados separadamente e há opção de colocar o ABS no modo Off-Road (que deixa a roda traseira travar). O ajuste das suspensões pode ser realizado independentemente, com três opções de rigidez (Sport, Street e Comfort) e de acordo com a carga sobre a moto, tudo através do painel, nada de pegar em ferramentas. Vale ressaltar que estas suspensões, assinadas pela WP, não são semiativas como, por exemplo, na rival italiana Ducati Multistrada, que vem equipada com o DSS (Ducati Skyhook Suspension) e nas BMW S 1000 RR HP4 e S 1000 R. A diferença é que a eletrônica da KTM muda o ajuste quando selecionamos um modo diferente, enquanto as semiativas o fazem várias vezes por minuto para se adaptarem às condições presentes.

_EPI5682 _EPI5684

Ainda na lista de equipamentos desta KTM, vale destacar a presença de um útil para-brisa com regulagem de altura (manual), amortecedor de direção, rodas raiadas que aceitam pneus sem câmara e uma embreagem deslizante que é surpreendentemente leve. Agora vamos ao que interessa, contar como ela anda!

NA CIDADE – Nos primeiros minutos com esta KTM já provocamos o acelerador entre um semáforo e outro. Que patada! O torque é impressiona e basta pouco acelerador para que ela salte com ferocidade. Contrasta com este caráter brutal a suavidade de comandos como freios e embreagem, muito progressivos e fáceis de dosar. Usando o modo Sport esperávamos um comportamento mais agressivo, porém em nenhum momento sentimos dificuldade de controlá-la apesar da aceleração de socar o cérebro contra o fundo do crânio. Longa entreeixos, a dianteira dificilmente sai do chão, mas quando isso acontece logo volta graças ao controle de tração. Na hora de parar, basta usar apenas a alavanca do freio dianteiro pois ela também faz atuar o traseiro. Já o oposto, frear só o traseiro, não causa nenhuma ação no dianteiro. Quanto às suspensões a marca optou por ajustes sempre um tanto macios, mesmo no modo mais esportivo. O guidão é relativamente estreito e tem ótimo ângulo de esterço, permitindo passar entre os carros com certa facilidade. A boa centralização de massas a deixa bem equilibrada e fácil de manobrar a baixas velocidades.

_EPI5651 _EPI5645

O maior senão desta KTM é o incômodo calor emanado pelo motor. No anda e pára da cidade, o grande bicilíndro logo faz sentir sua presença, e muito. Outro ponto fraco do modelo acontece quando rodamos em rotações muito baixas, abaixo de 2.000 rpm. Nesta condição, ao reacelerar o motor reclama, o que obriga a uma “queimadinha” de embreagem, mas isto já era esperado de um grande e potente V2. Passando desta faixa, ele entrega torque e potência de forma linear e previsível.

NA ESTRADA – Se você encher a mão, levará míseros 5,61 segundos para atingir o limite de velocidade nacional, 120 km/h. Uma vez atingido, tente não ganhar mais velocidade, passe para a sexta marcha e relaxe. O motor irá girar tranquilamente a 4.500 rpm, com um pouquinho de vibração, nada incômoda. O que talvez atrapalhe seja o vento causando certa turbulência no capacete se o piloto tiver por volta de 1,80 metro de altura, mas nada que não possa ser resolvido simplesmente colocando o para-brisa na posição mais alta, o que permitirá a este mesmo piloto rodar até com a viseira aberta, caso queira. O conforto é garantido pela ótima ergonomia, com um guidão alto e pedaleiras nada recuadas. Junte isto ao assento agradável e temos uma máquina ideal para passar dias inteiros na estrada, sem cansaço. Fique esperto com o velocímetro, pois com um motor tão potente e boa parte do vendo sendo desviada do corpo, é muito fácil ultrapassar acidentalmente o limite de velocidade e se encontrar rodando a 140 km/h ou mais, e as multas agora estão mais caras.

_EPI5713
Na hora de encarar umas curvas, a diversão é garantida. O motor te teletransporta de virada a virada, fazendo sumir os trechos de reta entre elas. Por isso cada acelerada será acompanhada de uma bela freada para conseguir colocar os 230 kg da Adventure na trajetória certa. As mudanças de direção são um pouco lentas e demandam energia do piloto, mas uma vez inclinada ela se mantém ultra estável e, somado ao mapeamento excelente, permite acelerar com vontade, buscando o limite de aderência dos pneus. E se, por acaso, tal limite for encontrado, o controle de tração se encarregará de recuperar o domínio da situação, sem deixar o condutor se encrencar. Ele intervém de maneira suave e uma luz amarela se acende no painel quando isto ocorre. Em uma tentativa de avaliar o MSC, não sentimos grande diferença em relação a um ABS normal. Ao frear no meio da curva a moto ainda se levantou como esperado, e em uma frenagem forte com a roda traseira houve um pequeno destracionamento enquanto estava inclinada. Talvez fosse necessário ter freado a dianteira com mais força, a uma velocidade superior e com mais inclinação, mas durante nosso curto tempo com a moto não foi possível perceber claramente as vantagens do sistema.

_EPI6041

FORA DA ESTRADA – Com um certo receio de derrubar a máquina de quase 80 mil reais, levamos a KTM para encarar um pouco de terra. E uma vez lá, foi possível ver que não se tratava de nenhum bicho de sete cabeças. No modo Off-Road, a entrega de potência fica suavizada, o controle de tração age de maneira inteligente para te tirar de encrencas e as suspensões no modo mais macio lidam bem com a buraqueira. Ela se mostrou relativamente domável e foi possível até realizar algumas derrapagens controladas e saltos, mas se a frente escapar não há perna que consiga poupar o tombo. Os pneus Continental Trail Attack 2 são muito mais voltados para o asfalto, ainda mais com um traseiro de 170 mm de largura, mas ainda assim  aceitam trechos off-road. Digamos que não seja um modelo para enfiar na trilha, algo que provavelmente a versão “R” fará melhor, mas ela coopera bem com estradas de terra.

_EPI5917

CONCLUSÃO – A KTM 1190 Adventure é uma moto grande, confortável, extremamente rápida e versátil. Pode ser vista como uma esportiva confortável ou simplesmente uma moto que topa quase tudo e ainda recompensa com um monstruoso motor de superesportiva. Compensa? Bem, é válido sempre olhar para a concorrência, que custa menos: a mais direta é a apimentada italiana, a Ducati Multistrada 1200, com suspensões mais avançadas e performance semelhante. A BMW R 1200 GS é menos potente e esportiva. A austríaca tem seu charme por ser novidade e ter um mapeamento de motor bem ajustado. Seu maior senão é o calor gerado pelo propulsor, que realmente incomoda no uso urbano, mas passar mais tempo na estrada resolve este problema e ela merece, e muito, a sua consideração.

notas ktm 1190 advficha ktm 1190 adv

medicoes ktm 1190 adv

Medições: Marcelo Camargo

grafico ktm 1190 adv

LEIA TAMBÉM: