Novidades

Testes

Competição

História

Apresentação

Home » Destaques, Testes

KAWASAKI NINJA ZX-6R 636 – O TESTE

Enviado por on 14 de Março de 2014 – 14:241 Comentário

_EPI0890 copy 2Japonesa, 19 anos, linda e sedutora, completa, com acessórios… Prazer garantido! Um texto desses pode te fazer pensar em outra coisa, mas o que queremos mesmo é  contar que… rolou! Depois dos quilômetros percorridos neste teste não há como esconder que a bela e competente supersport da Kawasaki nos conquistou.

_EPI0601 copy 2

A versão utilizada neste teste, realizado em 2013, marcou os 18 anos do modelo e se mostrou uma motocicleta com projeto consolidado. Foi capaz de nos seduzir totalmente não só pelo prazer que proporcionou mas pelo exemplar concentrado de tecnologia que tem um objetivo direto: ser a melhor supersport do momento.

Nascida em 1995, a ZX-6 foi criada pela fábrica de Akashi para brigar com a então líder da categoria Honda CBR 600F. Muita coisa mudou de lá para cá. A versão 2013 trouxe o crescimento da capacidade cúbica de seu motor de 599 para 636 cc. Tal opção repete o que ocorreu no passado, nos modelos de 2003 a 2007, época em que no catálogo da marca conviveram máquinas com motor de 636 cc e de 599 cc, estas últimas adequadas ao regulamento do Mundial de Supersport.

Estes 37 cc a mais no motor sugerem, a princípio, uma diferença muito pequena, incapaz de resultar em alguma melhora da performance. Porém,  a verdade não é bem assim: do modelo 2012 para este a potência não só cresceu de 128 cv para 131 cv como aparece em regime 500 rpm inferior. O torque da ZX-6 com motor de 599 cc era de 6,8 kgf.m a 11.800 rpm, já na nova 636 ele passou para 7,2 kgf.m a 11.500 rpm.

detalhes ZX6R -1

Mas as mudanças não param por aí. A base do chassi se manteve a mesma em relação ao modelo anterior, mas o subquadro sofreu alterações para não só perder tamanho, como peso. A balança da suspensão traseira foi revista a fim de aumentar sua rigidez e reduzir o entreeixos de 1.400 para 1.395 mm, enquanto que os suportes do motor também foram completamente alterados. Eles passam a ser mais leves e agora fixam o motor ao quadro numa angulação mais aguda, com os cilindros mais inclinados à frente. O objetivo? Mudar a distribuição de peso e tornar a 636 ainda mais ágil e equilibrada.

Outra mudança técnica importante foi a adoção da nova suspensão invertida na dianteira, conhecida como BPF (Big Piston Fork). A principal diferença em relação outras suspensões é o pistão principal, cujo diâmetro é quase o dobro – 37 mm contra 20 mm do modelo anterior. Com isso, o fluido no interior do BPF atua numa superfície com área quase quatro vezes maior, permitindo que a pressão de amortecimento seja reduzida, o que por sua vez faz com que o tubo deslize com maior suavidade. Não bastando, o amortecedor do tipo BPF elimina muitos dos componentes internos de um garfo tradicional, ocasionado uma natural redução de peso.

A redução de peso nesta nova suspensão, assim como nos itens do chassi e também no interior do motor, foi responsável, segundo a Kawasaki, por um “emagrecimento” no peso em ordem de marcha de cerca 10 kg. Um feito capaz de fazer inveja até mesmo aos Vigilantes do Peso!

_EPI0658 copy

NÚMERO DA BESTA – Se nos dados e números a Kawasaki ZX-6R 636 impressiona, na prática ela chega até a assustar. A começar pelas respostas do novo motor. Diferente da maioria das motos esportivas dotadas de motores de 4 cilindros, a 636 não é tão preguiçosa em baixas rotações. Em torno das 4.000 rpm seu tetracilíndrico já se mostra vivo, e a 6.000 rpm – que em motos deste segmento é uma rotação considerada baixa – ele já acorda, mostrando um boa dose de vitalidade. Quando isso acontece, até mesmo o ronco muda, passando a ser mais pronunciado e incrivelmente instigante.

O crescimento do diâmetro dos pistões e consequentemente da cilindrada favorece esse ímpeto do motor, com as acelerações e retomadas melhorando significativamente em relação à sua antecessora, tornando-a uma motocicleta não só mais rápida – algo que pode ser traduzido em tempos menores nas pistas –, como muito mais divertida de ser pilotada. Marcha após marcha do câmbio com um total de seis – cujo funcionamento é bastante preciso e macio –, os giros e a velocidade crescem de forma espantosa. O belo ronco se torna um verdadeiro urro, nos levando a crer que o número da besta não é 666, mas talvez 636…

MEDICOES ZX6 OKOS DOIS NÍVEIS DE POTÊNCIA – Full para potência plena e Low para potência restrita – que podem ser escolhidos na gestão eletrônica funcionam que é uma beleza, tornando a ZX-6R uma moto bem mais dócil e com respostas mais amenas na opção Low. Testamos o sistema no piso molhado e comprovamos que ele pode ser extremamente útil, ainda mais quando combinado com o KTRC (Kawasaki Traction Control). Este eficiente controle de tração, atuante em três níveis de restrição é até um tanto exagerado na primeira opção, o que ajuda até mesmo pilotos mais experientes a se divertirem com mais segurança e tranquilidade, como pilotar em estradas sinuosas em plena chuva… Para quem gosta de adrenalina pura, “sem três níveis de diluições”, o KTRC pode ser desligado.

Nos chamou a atenção no poderoso motor da 636 não só o baixo índice de ruídos mecânicos, como também pequena incidência de calor nas pernas, características presentes em muitas motocicletas superesportivas.

Consumo? Claro que milagres não existem. Para desenvolver mais potência é preciso mais energia, em outras palavras, combustível. Apesar de todo seu comportamento furioso, a 636 alcançou uma média de consumo que consideramos razoável para uma moto de sua categoria e proposta. Foram 14,4 km/l, circulando 30% do percurso na cidade, onde ela sofre pelos largos espelhos e o reduzido ângulo de esterço, e 70% em estradas, onde ela é uma delícia de ser pilotada… Pura tentação a cometer a infração de ultrapassar os 120 km/h impostos pela lei!

_EPI0653

SOB CONTROLE – O slogan de um comercial de pneus poderia ser aplicado perfeitamente às motos esportivas: potência não é nada sem controle. De fato, seria bastante difícil usufruir da potência que a Ninja 636 tem a oferecer se ela não fosse uma motocicleta bem resolvida em termos ciclísticos. Graças a inúmeros cálculos e também a enorme experiência em construir verdadeiros mísseis sobre rodas, os engenheiros da Kawasaki chegaram a um nível de estabilidade bastante elevado na 636. Mesmo diante de pequenas imperfeições no asfalto, o modelo da marca verde se mostrou firme e sem oscilações em sua trajetória, fazendo as curvas de média e alta parecerem mais fáceis do que realmente são.

NOTAS ZX6 OK

A presença do bem-vindo amortecedor de direção – Öhlins – foi festejada por mais de uma vez durante nossa avaliação. Graças a ele, não passamos por qualquer susto causado pelo indesejados efeitos conhecido como “shimmy” ou seu irmão, o “kick back”, um amendrontador chacoalhar da dianteira que ocorre geralmente em virtude da mistura de desaceleracões ou acelerações com imperfeições no piso – combinação tão comum quanto chuchu na serra –, que parece tomar das mãos do piloto o controle da moto.

Grande parte da eficiência da 636 no que tange a estabilidade é fruto de suas suspensões, sobretudo a dianteira. Ao contrário do que se imagina, elas são mais macias do que se poderia imaginar em uma supresport, sendo a traseira, no ajuste que sai de fábrica, levemente mais rígida que a dianteira. Como a maior parte do peso neste tipo de motocicleta fica depositado à frente, tal ajuste acaba tornando a vida do piloto ligeiramente mais confortável, principalmente no uso urbano, onde os pisos costumam ser mais irregulares – algo paradoxal em uma moto cujo conforto teoricamente ficaria em segundo ou terceiro plano… e o uso urbano também.

Mesmo sendo uma moto de caráter puramente esportivo, a Ninja 636 apresenta um funcionamento suave em sua suspensão dianteira, invertida assinada pela Showa, um exemplo de progressividade. No início do curso filtram bem as imperfeições do asfalto e amenizam impactos nos antebraços do condutor. Em condições extremas, como frenagem forte de emergência, ela se torna bastante rígida próxima de seu fim, mas ainda assim afundou a ponto de permitir que a roda traseira perdesse o contato com o solo. Para nossa alegria, sanar isso é muito fácil. Basta encontrar um ajuste adequado na compressão da mola e também na compressão da parte hidráulica, que ainda pode ser regulada em seu retorno.

Quando alguém pretende comprar uma esportiva, pensa primeiro em potência, velocidade final ou até mesmo se a moto em questão é boa de curva, certo? Mas é na hora do sufoco que todos se lembram de que são os freios que lhes podem salvar a vida, e nesse momento eles passam a ser os componentes mais importantes. Pois bem: os esforços da Kawasaki em fazer da sua representante na categoria superesport a máquina número 1 não foram poucos, e nos freios o capricho também pôde ser notado. Na dianteira, os enormes discos flutuantes de inox com 300 mm diâmetro cada e em formato de pétala, juntamente com as duas pinças monobloco de alumínio com 4 pistões cada, representam o que há de melhor nesta categoria na atualidade. Ele é, além de potente, bastante progressivo, e mesmo diante de maus tratos, com sucessivas e fortes frenagens, não apresentou sinais de fadiga. Vale comentar que a desaceleração nas frenagens mais extremas é tamanha, que a impressão que se tem é a de que a qualquer momento se vai voar por cima dos semiguidões.

Como se não fosse bastante, ainda há o sistema de ABS, capaz de tornar toda a potência deste freio em algo bem menos amedrontável – afinal, que está pilotando a Ninja 636 e precisa “carcar” o manete de freio com toda a força, sabe que em hipótese alguma ela travará.

_EPI0767 copy

POSIÇÃO ATAQUE – Dizer que a Kawasaki Ninja ZX-6 36 não é uma moto confortável, soa como uma redundância. Afinal, existe alguma moto esportiva que ofereça conforto ao seu condutor? Ou ainda, se deve esperar conforto com essa proposta? De fato, quando se projeta uma moto do segmento da qual a 636 está incluída a preocupação maior é com performance e fazer com que o piloto se encaixe satisfatoriamente na máquina para que possa se sentir confiante no momento de pilotá-la. O isolamento do quadro, que trabalha bastante quente, e os defletores de ar conseguem proteger decentemente as pernas do piloto contra o calor. Já a boa ergonomia proporciona encaixe das pernas e a empunhadura dos semiguidões, onde boa parte do peso do piloto fica depositado, adequada à proposta do modelo, assim como as pedaleiras.

FICHA ZX6 OK

A situação do garupa é pior, pois não há em que se apoiar. As pernas ficam encolhidas demais, sem falar do banco, cujas dimensões são reduzidas. Todos esses fatores juntos deixam claro o seguinte: garupa na 636, só para pequenos passeios. Por fim, o painel de instrumentos: não só se destaca pela facilidade de leitura rápida, como também pela ausência de um marcador do nível de combustível, que seria bastante útil.

Como você pode perceber, essa bela máquina, onde a Kawasaki concentrou grandes esforços nos últimos 10 anos (a ZX-6 passou por nada menos que 6 grandes mudanças), pode ser considerada uma motocicleta muito bem resolvida e fruto de um projeto maduro. Nossas críticas a ela são realmente muito pequenas diante de suas qualidades. No entanto, ao que tudo indica, mais uma vez é o preço o calcanhar de Aquiles da marca verde. Na versão testada, com ABS, a Ninja 636 é comercializada a R$ 52.900 – uma quantia bastante alta, mesmo para uma “japinha” tão sedutora e prazerosa quanto a 636…

_EPI0686 copy_EPI0684 copy_EPI0680 copy_EPI0671 copy_EPI0677 copy_EPI0665 copy

 Teste: Laner Azevedo – Edição: Julio Rosenfeld – Fotos: Gustavo Epifânio

  • Tabajara – São Carlos – SP

    Show! Realmente sensacional.
    O chassi dessas motos esportivas como a 636, realmente é o X da questão. Como vocês bem mostraram, uma grande evolução.