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UM MÊS DE YAMAHA XT 660Z TÉNÉRÉ

Enviado por on 15 de Janeiro de 2015 – 11:393 Comentários

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Maratonista

Texto: Felipe Passarella/Fotos: G. Epifânio/M. Camargo

Muitos quilômetros, muitos pilotos e um mesmo veredito: a Ténéré é uma grande motocicleta, e não só no tamanho.

Nosso “Um Mês ao Guidão” desta vez foi com a Yamaha XTZ 660 Ténéré. Alvo de um comparativo com a BMW G 650GS (o qual venceu) na edição passada, a moto seguiu conosco sempre muito elogiada pelo desempenho, estabilidade e maneabilidade, apesar do tamanho que a princípio assusta e torna a máquina ligeiramente proibitiva a baixinhos… Mas esse mesmo tamanho conta pontos no quesito estilo, a moto tem “presença” e confere status ao motociclista.

O primeiro a rodar com a Ténéré foi o experiente redator Felipe Passarella, que resolveu sentir o comportamento dessa big trail inclusive na terra. Mas, para chegar a ela, foi preciso encarar tráfego urbano e estrada. Na cidade, a agilidade é prejudicada devido ao peso, tamanho e especialmente pelo guidão muito largo. Por outro lado, a imponência da moto às vezes ajuda a “abrir caminho” entre os outros veículos, que automaticamente passam a ser mais lentos na comparação com a rápida Ténéré. Aliás, é preciso tomar muito cuidado com radares, tendo em visita que o para-brisa, ao desviar o vento do piloto, pode dar a falsa sensação de velocidade menor que a real.

Já na estrada, o primeiro fator a chamar atenção foi o ângulo do para-brisa, que fica em posição quase vertical. Assim, ele desviou o vento do capacete e do peito, mas curiosamente gerou uma turbulência bastante irregular, fazendo a cabeça do piloto (de 1,90 m de estatura) balançar um pouco em velocidades mais altas, possíveis graças ao bom motor monocilindro de 48 cv a 6.000 rpm e 5,95 kgf.m a 5.500 rpm. Com quatro válvulas e refrigeração por líquido, aceita castigos contínuos e mantém com facilidade os 120 km/h, velocidade máxima permitida no Brasil, ainda que carregando duas pessoas e muita bagagem. As retomadas de velocidade são encorpadas, e caso você não queira usar e abusar do “torcão”, pode contar com o funcional câmbio de cinco marchas, com engates fáceis e bem escalonadas.

A autonomia se aproximou dos 500 km, e pode até passar disso, caso você seja comportado e respeite religiosamente os 120 km/h. Uma nota curiosa é que os quadradinhos do marcador de combustível por barra vêm desabando um tanto rapidamente, um a um, mas o último deles “empaca” e demora bem mais (perto de 100 km) para sumir – ou melhor, ele não some, passa a piscar, avisando que é hora de visitar o posto. Para controlar quanto “tempo de vida” na estrada lhe resta, um útil hodômetro de reserva (que pisca!) entra em ação para que você tenha noção de quando a pane seca está prestes a chegar. Não tem desculpa, você foi avisado de todas as formas! Se vacilar, até merece o castigo de empurrar o paquiderme de 186 kg…

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TERRA & ESTRADA – Se no asfalto a moto já intimida diversos pilotos, na terra conduzi-la chega a ser realmente amedrontador, principalmente se o piloto não tiver um bom porte e coragem de encarar um chão ruim com aalta e pesada máquina. Além disso, um simples tombo com a moto parada pode significar um grande prejuízo – a 660 tem carenagem volumosa, e as peças originais Yamaha “extra YBR” costumam ter preço salgado. E ainda tem mais: encher o tanque da moto logicamente altera bem o centro de gravidade, pois são 23 litros acomodados em ponto alto da moto, implicando, com a nossa gasolina “naturalmente” batizada com cerca de 23 % de etanol, aproximadamente 17 kg extras.

Com esse “efeito joão-bobo inverso” em mente, Felipe escolheu um trajeto não muito complicado, ao menos em tese: as chuvas haviam tornado o terreno difícil, com trechos alagados, lisos e subidas repletas de pedras soltas. Nessa hora o DNA Ténéré ajudou, principalmente no tocante à posição de pilotagem e suspensões (cursos de 210 mm na frente e 200 mm atrás), tornando menos traumático pilotar na terra nessas condições. Foi possível imprimir em alguns trechos uma tocada relativamente animada, mas também foi necessária atenção extra com os poderosos freios (dois discos 298 mm na frente e um disco simples 245 mm atrás), com delicadeza nos comandos para administrar tanto poder de frenagem no piso escorregadio já que esta versão não tinha ABS.

Na volta dessa aventura “terrena”, nosso piloto de teste Marcelo Camargo assumiu o guidão, com o hodômetro totalizando 800 km. Calibrou os pneus, encheu o tanque e viajou de São Paulo a Santa Cruz do Sul, RS, para acompanhar a primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade. Foram 1.300 km de estrada, e no destino foi preciso providenciar a troca de óleo, tarefa que não foi tão simples: é preciso soltar os bujões do motor e do quadro para drenar o lubrificante, abastecer no bocal, ligar o motor, desligar, completar o nível… Coisas de moto com cárter seco! Outra tarefa imprescindível foi esticar a corrente, e foi só, reafirmando o caráter de “topa-tudo-exige-pouco” da big trail.

A viagem teve apenas duas paradas, em Balneário Camboriú, tanto na ida como na volta – isso apesar de o assento, macio no começo, começar a incomodar depois de duas horas. “A espuma cede, como na Ténéré antiga”, observou Camargo. Já o consumo foi elogiado, pois apesar da pressa cumpriu quase 20 km/l, quase 400 km de autonomia.

Outros pontos altos apontados por Camargo foram o design da moto, a postura permitida ao piloto e o para-brisa que ajuda muito a poupá-lo, reduzindo o cansaço e protegendo-o dos detritos e mosquitos.

Por sua vez, a estabilidade o agradou em geral, mas em alguns momentos Camargo sentiu oscilações na dianteira, “devido às bengalas, aros e pneus muito finos, gerando balanços especialmente em curvas de alta”, observou. A falta de freio ABS também foi sentida, principalmente na rodovia, onde o piloto não tinha certeza de encontrar piso limpo, mas sim muita “sujeira de caminhão”, notadamente nas paradas em pedágios.

Quanto ao desempenho, o motor na estrada vai tranquilo, com velocidade de cruzeiro ideal entre 120 km/h e 130 km/h, com a moto deslizando macia. A vibração foi considerada baixa para uma monocilindro de 660, inclusive mantendo os retrovisores sempre nítidos. Chatinhos foram os constantes estouros quando se tira a mão do acelerador, característica das XT 660Z. O câmbio foi apontado como suave, de engates precisos – “nunca errei marcha, é bem escalonado e a 5ª, boa para estrada. Todavia, o desempenho foi comprometido ao abastecer em postos suspeitos: “em dois casos senti diferença em consumo e performance, para a mesma velocidade tive que acelerar mais, mas mesmo assim o motor nunca não grilou”. Os elogios voltaram quando Camargo se referiu ao farol: “surpreendeu, porque tem foco definido e grande potência, o facho alto ilumina pra valer”.

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EM SOBREVOO – Em seguida, a Ténéré foi passada para o repórter Julio Rosenfeld. Ele realizou uma curta viagem até Campinas e também pequenos deslocamentos urbanos. Após seu período com a moto, chegou às seguintes conclusões: ela se destaca no perímetro urbano pela agilidade, velocidade de arrancada e, principalmente, pelo fato de o guidão ser alto o suficiente para passar por cima dos espelhos retrovisores da maioria dos carros. Rodando com um passageiro, houve reclamações relativas às suspensões, que provocam muito balanço ao passar na buraqueira. Rodando sozinho, ela engole obstáculos sem reclamar nem transmitir grandes impactos à coluna.

Na estrada, com a última marcha engatada, o motor gira tranquilamente, sem vibrações incômodas, em velocidade de cruzeiro ideal entre 120 e 140 km/h. Nesse ritmo o motor gira a rotações baixas favorecendo menor consumo, cerca de 23 km/l, o que possibilita rodar até 400 km com apenas um tanque. A posição de condução é muito confortável e o para-brisa que desvia bastante vento agradou Julio. O conjunto da obra é uma moto ágil o suficiente para uso urbano e confortável para viagens na estrada, mas com aptidão para encarar percursos off-road também, como provou o passeio na terra. Na opinião do repórter Julio, por um preço aceitável o consumidor leva uma máquina muito versátil.

Nosso colaborador-doutor, o oftalmologista Márcio Maia também testou e aprovou a Ténéré 660. De início levou um susto, pois ao manobrar a moto na garagem, com tanque cheio, a deixou tombar e teve dificuldade em levantá-la, o que fez a algum custo – financeiro, apenas o manete da embreagem rompido na pontinha… “Depois desse incidente fiquei bem mais esperto, principalmente em pisos escorregadios, como a terra”. Observou que “é preciso ter mais de 1,8 metro para controlar bem esta moto, tenho 1,78 m e fiquei na ponta do pés!”. Notou também que o carona não precisa se preocupar com a caloria dos escapamentos, pois o isolamento térmico se revelou perfeito.

Logo depois fez um “bate-e-volta” de São Paulo a Indaiatuba (SP). Viajou rápido, entre 140 e 150 km/h, com garupa, e ambos se desdobraram em elogios. O que mais impressionou foi a boa estabilidade, que se mantém inabalável até 150 km/h, cufra a partir qual surgiram alguns balanços, “aceitáveis”. Márcio lcançou até 170 km/h, sem maiores problemas. Contornou curvas velozmente, com segurança. Também gostou muito do motor, pois “para um 660 cc mostra grande disposição”. Achou os freios excelentes, “para meu uso não senti falta do ABS”. O para-brisa também foi lembrado, por proteger bem e “cortar todo o vento mesmo em alta velocidade”.

Chegando ao destino, encarou um pequeno trecho de terra, apenas três km, mas pode notar que a 660 continuou “na mão”, tendo cuidado extra apenas nas manobras quando parado. “Dar volta ao mundo com a Ténéré é fácil, eu dispensaria uma moto maior do que ela, até pela autonomia ótima”. Considerou o estilo da moto muito bom, “é bem mais bela que a Ténéré 250, tem um porte legal”. O oftalmologista encheu os olhos com a 660…

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TAMANHO ENGANA – Na sequência outro colaborador-doutor, o engenheiro Roberto Moura Sales, dono de uma Honda XRE 300, passou um final de semana com a Ténéré. Rodou na cidade, na estrada, com garupa e também só. O resultado foi que… Roberto colocou à venda sua XRE e tem como alvo uma XT 660Z Ténéré. Paixão à primeira vista? Quase. Roberto é um motociclista que reencontrou o guidão recentemente, após duas décadas de afastamento. Para essa volta às motos, escolheu a XRE 300 por considerá-la exata, recomeçando do ponto de onde havia parado, já que sua última moto havia sido uma XLX 250R. Porém, como a utilização da moto por Roberto prevê viagens, algumas nem tão curtas assim (foi com a XRE de SP ao sul da Bahia, passando por Minas Gerais…), seu alvo já era uma moto maior, mas sempre pertencente ao segmento trail.

Disse Roberto: “Tenho rodado com várias motos dessa categoria e algumas realmente são demais, como a BMW F 800 GS e a Triumph Tiger 800 XC – e quando digo ‘demais’, me refiro não apenas à performance, como também ao preço. Provei também a Transalp e a Versys, gostando de ambas, mas a 1ª me incomodou pelo calor do motor, e a segunda pelas vibrações. Quando chegou a vez da Ténéré, imaginei que a altura do banco em relação ao solo seria algo que me incomodaria. De fato ela é alta, mas logo depois de algumas horas de convívio percebi que aquele tamanhão não era um problema real, e passei a admirar suas qualidades. A primeira delas, o motor, que é vigoroso e tem uma batida, uma pulsação que gosto. Passa uma impressão de força e efetivamente empurra a moto para a frente, dando a impressão de que ela pode superar qualquer obstáculo. A resposta ao acelerador é imediata desde os mais baixos giros e isso, somado a uma ótima posição de pilotagem e segurança em curva, me cativou. Andei também na BMW G 650 GS, e apesar de também ter gostado, acho a Yamaha mais adequada para minhas pretensões. Na estrada, acima de 120 km/h, senti uma turbulência incômoda, mas abaixando um pouco – tenho 1,80 metro, esse fenômeno diminui bastante. Considerando minhas necessidades atuais, acho que esta XT 600Z Ténéré é a moto que melhor se encaixa, inclusive pelo preço.”

Nos 31 dias em que rodou conosco, a Ténéré alcançou 4.514 km, marca expressiva na qual a única intervenção necessária foi a troca de óleo (R$ 45,00) e duas regulagens na corrente de transmissão. Robusta, confiável e versátil, ela custa R$ 29.920 cifra não exatamente modesta, mas coerente com uma literalmente grande e competente moto!

 

Matéria publicada na edição 233 da Revista da Moto!

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  • Tabajara – São Carlos – SP

    Realmente, a melhor matéria com a Ténéré 660, explicando como anda com e sem garupa, bagagem, realmente sensacional. Acabaram as dúvidas sobre o desempenho desse big-single, que era o calcanhar de Aquíles da moto. Que a XT 660 anda bem, todos já sabiam, mas da Ténéré, o mistério acabou em Moto. Ah se eu pudesse e o dinheiro desse! Parabéns a Moto!.

  • Alessandro Oliveira

    Tive a Tenere 660 por 2 meses, adorava a moto, nem sou alto (1,77m) mas me sentia muito bem com a altura dela, mesmo só colocando a ponta dos pés no chão. Únicos pontos negativos eram: a vibração na faixa do 3000rpm (vibra muuuuuito) e o calor na perna esquerda, de resto só elogios. Anda muito, freia bem, banco confortável, manutenção relativamente barata, paguei R$150 na revisão de 1000km. Mas como nem tudo são flores fui roubado após sair da Av dos Bandeirantes e antes de chegar na rodovia Anchieta. Ela tem o mesmo motor da XT660 que é adorada pelos fdp, e o seguro já está ficando com valor proibitivo para São Paulo. Faltou dizer na reportagem que a versão com ABS é mais baixa que a sem ABS, inclusive com curso de supensão menor e pneus mais on road.

  • Tabajara – São Carlos – SP

    Também fico imaginando a Ténéré 660 com um filtro K&N. Ví matérias da XT equipada com ele, a Ténéré deve ficar uma delícia.