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YAMAHA MT-07: O TESTE

Enviado por on 13 de Novembro de 2015 – 10:43Comente
 

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Um convite à brincadeira

A Yamaha MT-07 encanta no primeiro contato e te faz sentir como uma criança quando descobre seu novo brinquedo preferido

Texto: Julio Rosenfeld/Fotos: Gustavo Epifanio

Compacta, ágil e absurdamente divertida. Andar na MT-07 chega a ser viciante. Você pode passar horas nela mas, ao chegar ao destino, já sente vontade de sair rodando novamente. Seu forte não é o conforto, mas ela sempre deixa um gostinho de quero mais.

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A Yamaha lançou a MT-07 no Brasil há cerca de dois meses, portanto ela ainda é uma novidade por aqui (foi lançada no exterior no início de 2014). Você já deve ter lido sobre ela, nós mesmos já publicamos três reportagens com esta moto. Mas o que fizemos de novo desta vez? Colocamos ela para rodar mais de mil quilômetros, a vida como ela é, enfim. Todos de MOTO! puderam saborear esta moto que é a nova best-seller do mercado europeu, que recentemente tomou o posto da moto que lidera há anos o mercado do velho continente, a BMW R 1200 GS.

O que faz desta Yamaha, máquina relativamente simples, algo tão relevante no cenário internacional? É, justamente isso, sua simplicidade e o decorrente volume de vendas. Desde quando as fabricantes de motocicletas embarcaram em uma busca implacável por performance absurda, que veio seguida por uma revolução tecnológica justamente para ajudar os condutores a levar tais máquinas ao limite sem correr tanto risco de vida, parece que esquecemos do quão divertida uma moto mais básica pode ser. E é exatamente aí que entra a Yamaha MT-07, e sua essencialidade, titalmente básica e divertida.

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O QUE É – A MT-07 é uma moderna naked com um valor muito competitivo. Custa R$ 26.990 v e com mais 1.500 reais vem a frenagem ABS. Suas principais concorrentes são a Honda CB 500F e a Kawasaki ER-6n, ambas bicilíndricas como a Yamaha, e com valor muito próximo.

Seu propulsor tem projeto recente, 689 cc, duplo comando no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. O virabrequim é o Crossplane, com defasagem de 270° para melhorar a entrega de torque. Os pistões são forjados e os cilindros revestidos de material cerâmico, o que reduz o atrito e aumenta a durabilidade. E quanta força gera esta máquina? 75 cv de potência e 6,9 kgf.m de torque. Parece pouco, mas em moto com apenas 179 kg em ordem de marcha (182 kg com ABS) a cavalaria é mais que suficiente.

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Em termos de eletrônica, fora a injeção, há um painel digital bacana, com indicador de condução econômica que se acende quando andamos sem abrir muito o acelerador, indicador de marcha engatada, termômetros para o ar e o líquido de arrefecimento, indicadores de consumo médio e instantâneo e os itens mais comuns, como conta-giros e relógio. Nada de modos de condução com inúmeros ajustes ou controle de tração: ela é simples, tanto que a versão com ABS nem permite que se desligue o equipamento de segurança.

NA CIDADE – Apesar dos quase 700cc, a MT-07 parece um brinquedinho na cidade. O guidão super estreito, 745 mm de largura, passa com facilidade entre os carros. O ângulo de esterço também é generoso, facilitando na hora de realizar manobras em espaços apertados, ou costurar o trânsito parado. Ela é pequena, tem porte semelhante ao de uma 250/300. A embreagem é muito leve, provavelmente uma das mais leves em qualquer moto de alta cilindrada. O acelerador é fácil de dosar, mas em algumas situações o motor apagou inesperadamente a velocidades muito baixas.

_EPI9474 Apesar disso o motor é uma pérola, consegue ser sempre empolgante, com respostas um tanto bruscas e imediatas, viciante. Outros pontos fortes do propulsor são o consumo, que nunca ficou abaixo de 21 km/l, e o fato de ele não gerar aquele calor incômodo, algo muitíssimo apreciado no meio urbano. Ele também aceita bem uma tocada mais relaxada, disponibilizando muito torque desde cedo e só reclamando se as rotações caírem abaixo de 2.000 rpm.  Os freios são um tanto ariscos e podem assustar alguém menos experiente mas, uma vez criado o hábito, são ótimos para a segurança. E por falar nisso, a unidade cedida para o teste não tinha ABS e sentimos falta do equipamento, pois é relativamente fácil travar as rodas e a traseira fica muito leve em frenagens mais fortes. As suspensões também têm acerto mais voltado para o conforto, o que foi ótimo para absorver a buraqueira. E, por último, a ergonomia, que favorece a posição ereta, com os pés para frente, também se mostrou muito adequada para uso diário sem fadiga.

_EPI9488O maior ponto negativo da moto fica na traseira. Apesar de bonita, o design arrojado afetou muito a praticidade do modelo. O espaço para o passageiro é mínimo, com pedaleiras recuadas e sem nenhum ponto de apoio. Mesmo o garupa mais habituado reclamou depois de meia hora. E isto também dificulta na hora amarrar bagagens, uma pena. Felizmente, a marca oferece pequenas malas como acessório do modelo. Mesmo assim, a MT poderia ter vincos sob a rabeta, como encontramos em diversas naked esportivas.

NA ESTRADA – Mais uma vez, ela agradou. Logicamente não há proteção aerodinâmica, mas o assento  permite ao condutor se movimentar para trás, deixando-o em uma posição mais inclinada à frente, o que ajuda a vencer a pressão do vento. A 120 km/h o motor gira a 5.000 rpm e produz um poucas vibrações, suficiente para deixar as mãos formigando após cerca de uma hora e meia ao guidão. As retomadas são fortes pois, a este regime, o propulsor já está em ponto de bala, com respostas bem imediatas. Nas acelerações partindo do zero a moto tem forte tendência a empinar, problema para pilotos menos experientes, que talvez precisariam de um estágio em uma 500 cc antes de saltar na MT-07. Em primeira e segunda marcha ela empina só com a força do motor.

Na hora de encarar uma estrada sinuosa, a MT-07 deixa um pouco a desejar. O retorno das suspensões, que não pode ser ajustado, é um tanto rápido, fazendo a moto quicar quando passamos por irregularidades. Nas curvas isso pode assustar, causando balanços no guidão. Segundo nosso piloto de testes Marcelo Camargo, a suspensão dianteira flete quando muito exigida em curvas rápidas. Apesar disso, mudanças de direção ocorrem em um piscar de olhos e a MT-07 obedece plenamente aos comandos do piloto. É muito fácil se acostumar com ela, praticamente dispensa um período de adaptação.

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Um detalhe que tende a facilmente se tornar um incômodo é o radiador muito exposto. Ele é grande e não há nada, nem uma telinha sequer para protegê-lo dos detritos lançados pela roda dianteira. Ao final da nossa avaliação, ele já apresentava pequenos pontos amassados, por sorte não foi perfurado.

CONCLUSÃO – É uma moto extremamente divertida que pode ser utilizada todos os dias, desde que não haja necessidade de levar um passageiro nem de encarar estradas sem pavimentação. Espertíssima na cidade, competente na estrada e sempre muito disposta para agradar quem gosta de uma tocada esportiva. Apesar de alguns detalhezinhos aperfeiçoáveis cá e lá, fica claro que a Yamaha acertou a mão nessa moto. Ainda não é possível afirmar se ela fará sucesso no Brasil pois a preferência nacional para motos naked por enquanto mira as tetracilíndricas, tanto é que a bem mais antiga XJ6 continuará na linha da de produção da marca. Mas a MT-07 com seu design cativante, performance soberba e preço competitivo tem capacidade para se dar bem. E se você que acabou de ler este teste ficou motivado a dar uma passada na concessionária, tenha certeza que mais do que uma moto boa de olhar ela é ótima para andar! ………..

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Medições: Marcelo Camargo

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